sexta-feira, 4 de junho de 2021

*Pavera, o filho da generosidade*


A dor não está dando tempo para gente respirar,
Aprumar o coração,
Achar um rumo,
Para se despedir.
Vem desembestada, como um cavalo bravo, pisoteando nossos amores
E sufocando nossa respiração.
E a gente fica assim, sem saber o que fazer, para onde olhar,
E quando não se tem o que fazer, a melhor opção que nos resta é rezar.
E hoje rezamos, com o coração em soluço,
O peito apertado
Pela travessia de Pavera...
Pavera era uma das pessoas que a gente gosta logo de cara,
Sim, é Pavera que conhecemos,
Epaminôndas é espólio de família,
Mas Pavera, ah, esse era de nós todos!!
Amigo do sorriso, vivia com ele estampado no rosto
E filho da generosidade, sempre solicito para estender
A mão grossa e cheias de calo, da lida árdua, para nos ajudar.
Quem nunca teve uma sacola, uma mala, uma caixa
transportada do outro lado do rio por essas mãos generosas?
Muitas e muitas!
Sua alegria era ver a gente alegre
E para isso não media esforços, entre laranjas, cocos, animais,
Tudo estava ali para nos servir.
São muitas lições e lembranças, que recheiam a mente,
Da passagem de Pavera em nossas vidas.
E, talvez, uma das mais marcantes,
Seja a dele na casa de farinha que, tal qual um menino manuseia seu brinquedo,
Assim era ele imprensando as mandiocas dia após dia, num barulho ensurdecedor
Que mais tarde, provavelmente, lhe custaria a audição.
Ali ele comandava, dava as cartas, se sentia útil...
Surpreender era o verbo da vida de Pavera,
Ele mestre em nos deixar sem palavras
Diante de suas atitudes nobres.
E de tanto nos surpreender,
Ele foi surpreendido pela vida
Que lhe gerou uma filha, sem dúvida,
A sua maior riqueza.
Era com orgulho, com veneração que ele a se referia,
E seus olhos brilhavam e seu sorriso se alargava.
A travessia é inevitável,
Mas agora vejo que tudo passou tão depressa,
Tínhamos tantas coisas para compartilhar, um almoço, a última janta,
Mas você foi mais rápido
E foi-se embora...
Paverão, o homem com o olhar de criança,
O pai com jeito de filho,
O amigo com a benevolência de um irmão.
Tinha muito ainda por falar, para agradecer, mas agora só conseguimos dizer:
Adeus, obrigado e disponha.
Siga a luz!


Juiz de Fora, um fevereiro triste de 11/02/2020.
Alexandro Borges Batista



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