IsoLAR
De uma hora para outra,
No piscar de olhos
O que éramos, deixamos de ser
O que tínhamos foi tirado de nós
E o que nos restou foi apenas o medo
E a insegurança do que está por vir...
Sonhei com heróis mascarados
E, ao acordar, fui surpreendido
Com pessoas de carne e osso
Usando máscaras
Água, sabão e álcool gel.
Máscaras, máscaras sempre
Em qualquer parte.
Mãos limpas,
Isolamento
O que houve com o mundo?
O que fizeram com a gente?
Quero abraçar e não posso,
Cochichar ao ouvindo,
Também não!
Apertar-lhe as mãos,
Saudar,
Não está mais nada suave,
Como costumávamos a dizer,
A vida ficou fria,
A comida também.
Se o isoLAR me retirou da aglomeração
Das ruas,
Me devolveu o meu LAR
Agora vejo coisas que antes não via,
Cheiros que não sentia
Por falta de tempo,
Por possuir manias.
IsoLAR não é prisão,
É proteção
Para mim e para
Os meus
Os teus,
Os nossos...
O inimigo invisível avança, silenciosamente,
Ele mata, não perdoa
Sobretudo, a quem nos viu nascer,
A quem a gente toma a bênção...
Pai, mãe,
Vó e vô
Tios e tias
E a toda gente...
Nem dá tempo de se despedir,
Perturba nossa mente,
Fere o coração.
O coronavírus é inimigo
Gripezinha é enganação,
Não vacile, irmão!
Por mim, por você
Pelo bem da nação,
Se puder fiquei em casa,
Esta é a lição...
Alexandro Borges
Juiz de Fora, maio de 2020
Dias sombrios!