sábado, 28 de janeiro de 2012

Pedido

Perdi as contas de quantas vezes
Eu implorei aos deuses
Para trazer você de volta pra mim,
Que ficasse aqui
E não fosse mais embora.
Era um pedido de amor,
Por não saber viver a vida
Sem está focado em você.
Pedia por acreditar na nossa história,
No sentimento que nos uniu.

Não me deram o que eu pedi,
Fiquei de mal com os deuses,
Chorei, lamentei, tive dias cinza
Achei que não fosse suportar sua ausência,
Fechei janelas e cortinas
Encontrei consolo em lembranças e artefatos,
Que de algum modo, trazia você para mim.
Alimentava-se de pequenas migalhas,
Míseras migalhas...

Era um amor gigante,
Cego e imaturo
Maior do que meus 1.86m de altura,
Pois é... era... foi...
Não é mais
E a cada novo encontro inesperado
Fica a certeza
Que esse sentimento que já foi tão grandioso
Foi se transformando e cedendo lugar a outro sentimento.

Não sei que nome tem,
Não posso classificá-lo
Mas não é mais aquele que fazia
Meu sangue fervilhar nas veias,
Meu coração bater mais forte
Como antigamente...
Talvez seja um sentimento de gratidão,
Por ter me proporcionado a chance
De sentir a vida e os sentimentos
De uma maneira intensa e sincera
Como nunca experimentada antes....

Mas por ora, não vou me antecipar
O tempo se encarregará de dá a forma e os tons
Que ele tem que ter
E, a nós, a aproximação e o distanciamento
Que é possível estabelecer.
Terei paciência,
Acabou a pressa
Acabou o sonho,
Restou apenas a realidade
E ela é implacável,
Na maioria das vezes,
Ou quase
Sempre,
Implacável...

Allex Borges
Juiz de Fora, janeiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Em frente

Neste momento estou angustiado,
Não sei o que sinto,
Tudo está chato, sem graça, incolor.
Hoje vi a lua e ela perdeu seu encanto,
As estrelas não brilham mais,
A noite ficou vazia,
Nua.

O sol já não aquece meu viver, como antes.
Estou pálido, eu sei
Mas mesmo assim estou bem,
Respiro...
Preciso viver a vida diferente dos meus pais,
Preciso me distinguir, distanciar, emancipar
Sobressair...

Deixe-me beber, fumar, cheirar e viajar
Viagem com ou sem volta, pouco importa,
O interessante é sentir o prazer
Que o imediatismo nos dá,
O aqui e agora,
Pra ontem...

Correr sem sair do lugar,
Chorar sem sentir dor,
Sorrir sem saber qual é a graça,
São atitudes que podem nos proporcionar
Viver o diferente em situações comuns,
Sobreviver...

Por mais que eu tente fugir, me distanciar, negar
Sinto-me que estou a reproduzir tudo aquilo que
Eu abomino socialmente,
Em cada atitude, gestos, pensamentos, palavras
Com uma nova roupagem, mas são os mesmos de outrora
Esse tipo de comportamento me é paranóico,
Determinista...

Exercitar a criatividade
E libertar-se dos anseios,
Romper as barreiras que nos impede de sermos felizes
É uma tarefa árdua,
Mas ao fazê-la,
Gozaremos de uma liberdade
Tal qual de um condor que voa soberano nos céus,
Ousar...

E se a morte nos procurar, não há o que temer
O desafio é desvendar seus mistérios.
A vida é única, sem retorno e sem rascunho
Observá-la a beira da estrada
É tolice
Pois ela é um caminho só de ida,
Mexa-se!

Corra riscos, percorra o desconhecido
Aprecie o êxtase de suas derrotas e vitórias,
Faz parte do ciclo da vida
E assim sentirás um ser completo
Que viveu intensamente
Um dia de cada vez
Como se eles fossem sempre
Os últimos que lhes restaram.

Allex Borges
Viçosa, setembro de 2009

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Você

Num sábado de lua minguante
Em que o céu não se apresentava
Como um dos melhores encantos
E a noite não parecida nem um pouco misteriosa
Você apareceu em minha vida...

Assim, de repente, num final de festa
Onde o que eu mais queria era ir embora.
Seu jeito faceiro e tímido,
Sua atitude de querer bem
Fez-me mudar de ideia
E permaneci ali ao seu lado.

Seu olhar ao encontrar com o meu
Refletia coisas que eu parecia não entender,
Que eu não queria entender
Por medo, incerteza
Por ser desconhecido
Tanto o sentimento
Quanto você.

Mas não tive como evitar,
Acabei por não resistir.
Minha muralha, enfraquecida,
Ruiu e foi ao chão.
Fiquei indefeso, vulnerável diante de sua presença
E quando me dei conta,
Já havia me perdido nos seus encantos
E juntos caminhávamos pelos devaneios
Dos nossos desejos
Sem culpa, sem destino,
Com paixão.

Desejos confusos, afoitos bem na verdade,
Mas desejos irresistíveis.
A princípio, ter você em meus braços
Pareceu-me um pesadelo,
Logo depois se transformou em um sonho
Que de tão bom, durou pouco
E poucas serão as chances
De sonharmos o mesmo sonho
Outra vez.

O sabor do seu beijo
Jamais será esquecido,
Substituído...
E o seu desejo estará presente
Em cada parte de mim
E quando eu senti saudade
Minha alma vai sair
A sua procura.
Se eu te encontrar
Foi porque estava escrito
Nas linhas do nosso destino 
E fez a vontade de Oxalá

Se não,
Foi porque já deixou em minha vida
A lição que eu deveria aprender
E assim Oxum se encarregará de me enviar
O amor que me fará
Viver a felicidade todos os dias
Outra vez...
E você será apenas uma lembrança
De alguém que chegou a minha vida tão rápido
E da mesma forma que chegou
Também se foi embora.
Allex Borges
Viçosa, fevereiro de 2003

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Alvino – uma saudade

A ‘carça’ perdeu o ‘currião’
O sorriso amarelou.
Tomei bitônico para recuperar as forças
E tocar à vida,
Mas a saudade de tua partida
É mais forte
Do que escaldado de farinha com leite.

Olho em volta,
Nos bancos do Bonfim,
No olhar doce de Tote,
Na semelhança física de João
E na força de seus filhos e filhas,
Que são tantos,
O ensinamento de uma vida digna
Da qual se tornou para todos nós
O seu maior legado.

Alvino em uma palavra
É integridade
Senhor de uma simplicidade ímpar
E de um amor leal.
O cabo da enxada
Foi sua batuta mestra
Com a qual regeu com competência
A orquestra da família Borges
Cada um com o seu tom, seu som
Sua afinação própria.

Sei que não mais está
Na roça do conforto,
Nem tão pouco na casa de Loza
Ou em Itabuna.
Vestiu seu terno branco,
Montou no seu cavalo
E se foi cavalgar
Lá no céu onde mora as estrelas
E agora a gente passa às noites
A observar o seu brilhar.

Adeus Alvino,
Meu pai, meu irmão, meu mestre.
Alvino que nunca o vi chorar,
Alvino que me ensinou
Que apesar dos pesares
É preciso não se esquecer
Da arte de amar.
Segue em paz meu velho!
Allex Borges
Palmeirinha, 04 de Janeiro de 2012