sábado, 18 de junho de 2011

A espera


Quando a ilusão de adolescente acabar,
E sua vida não tiver mais graça
Tudo ficar chato,
Sem cor,
Sem vida.
Não hesite
Em me procurar
Estarei a te esperar, mesmo assim,
Para dar-te o amor que precisas
E devolver o brilho que tu mereces ter.

Não esqueça
Que eu estarei aqui para ouvir seus anseios
Enxugar suas lágrimas
Ser seu parceiro
Num novo recomeço
E apresentar-te um céu estrelado
Ao meu lado.

Ao contrário do que escolhestes,
Meu amor não é prisão,
É liberdade.
Não é pesado
Dar-te um par de asas
E deixa você voar,
Pois te quer por inteiro
Ao meu lado
Por livre e espontânea vontade.
Sim...

Sei que não posso
Tornar-me um príncipe encantado
Diante dos seus olhos
Mas quem precisa de príncipe afinal?
É melhor desejar só o cavalo,
Pois o príncipe limita as possibilidades do amor,
Porém o cavalo
Levar-te para onde desejares.
Então,
Deixa-me galopar contigo
E mostrar o reino que eu trago dentro de mim
E tal como pégaso
Voaremos rumo à imortalidade...

Eu
Posso ser um idiota
Por te amar assim,
Sem freios
Mas o que posso fazer?
Estou aprisionado
Por correntes de lembranças
Que dão sentido a minha vida.
Minhas histórias, meus sonhos
Minha cama tem suas marcas
Desistir de você
É desistir de um pedaço de mim.

Sem você
Eu não sei mais como fazer
É como se roubasse o meu chão,
Você é minha referência
De tudo que conheço sobre o amor.
De tudo que vivi no amor.

Sou paciente
E sei que voltarás
Para realizar os sonhos
Que um dia construímos juntos,
Já dizia a canção
“Sonhos não envelhecem”
E sem nenhuma explicação
Seremos uma felicidade insana
Mas não demore,
Também quero ser feliz.


Allex Borges
Juiz de Fora – junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Passando a limpo


Ontem o destino se encarregou
De nos pôr cara a cara
Depois de um longo tempo
Sem a gente se encontrar.
No mesmo lugar
Que um dia você me apresentou
E foi cenário
De nossa história
Repetidas vezes.

Não sei o real motivo de tamanha façanha,
Deve existir algum,
Uma vez que não dividimos mais muitas coisas,
Inclusive a mesma cidade.
Para quem não acredita
No acaso, como eu,
Esses encontros
Sempre quer nos dizer algo,
Deixar-nos algo...

Não fiquei procurando
Descobrir qual seria,
Não perdi noites em claro,
Não mandei mensagens
E nem acordei
Sentimentos adormecidos.
Certamente o que significou
O tempo se encarregará de revelar
Ou de esquecer.

Mas olhando em seus olhos
Eu fiquei surpreso com o que via
Já não era mais a mesma pessoa que eu amei.
Embora suas formas e sua beleza
Continuassem as mesmas
Ou talvez melhor.

É estranho olhar para uma pessoa
Com quem você quis dividir
Os melhores anos de sua vida,
Seus amigos, sua família
Tudo o que você é,
O seu amor
E ela se tornar um estranho.
Foi essa a sensação que eu tive
Quando nos encontramos
Éramo-nos estranhos um para o outro.

Talvez a vida tenha se incumbido
De passar a limpo o que vivemos
E nada melhor do que fazer ali
Num lugar onde praticamente tudo começou
E véspera do dia em que celebramos o amor.
Sem dúvida, um encontro emblemático.
Onde isso vai dar ou já deu
Pouco importa
Já fiz por merecer
A vida segue, o coração apanha, mas aprende
Até começar outra vez
E tudo acaba se tornando
Um eterno recomeço.

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Pretensiosos


Somos pretensiosos por natureza,
Pretensiosos no amor,
Na vaidade,
Nos desejos
E nas conquistas.
Construímos uma ilusão
Que poderíamos ter o controle sobre tudo
Da vida,
Dos sonhos
De nossos sentimentos,
Do mundo.

E por conta dela
Fazemos planos,
Projeções de semanas, anos, décadas
Como se o amanhã dependesse
Exclusivamente de nós.
Completa tolice
De seres insignificantes
Se achando grande
Diante das incertezas
Do caminhar.

A verdade é que não se tem garantia de nada
Nem mesmo se o sol nascerá em todas as manhãs
Nem se a chuva cairá e encharcará o chão
Ou se a lua irá nos seduzir nas noites escuras.
Não se tem garantia
Nem sobre a vida
Nem sobre a morte
Ou sobre o amor.

A vida é uma caixinha de surpresas
E por isso procuramos nos apegar
Em alguma coisa, alguém ou um símbolo
Que alimente a nossa ilusão
Por não saber como fazer sem ela.

Tivemos a pretensão de aprisionar
O tempo em um relógio
E hoje não damos conta das suas 24 horas,
Ele é infinitivamente maior que isso.

Tudo o que se tem são especulações,
Probabilidades,
Crenças
E fé
Nada mais.
Fé que tudo vai acontecer como planejamos
E quando não acontece,
Quando a vida resolve nos pregar uma peça
Ficamos sem saber como fazer,
Perdidos...
Não sabemos lidar com as frustrações
Nem com o choro
Ou com o fracasso
Numa sociedade condenada ao sucesso.

Ando tão cansado de ser pretensioso
Queria poder me despir
De tantos casacos que me deram para usar
Esvaziar o coração e a alma
E poder me mostrar
Sem ansiedade
E sem temor,
E assim
Viver...

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Não temo a solidão
Nem o estado de estar só
Afinal, nunca se está só
Quando se tem sonhos
E eu tenho muitos.

Mas confesso,
Que sinto falta
Das vezes que meus braços
Estavam presos à sua cintura,
Quando o seu perfume
Confundia-se com o meu
Nos lençóis da cama,
Nos travesseiros.
Quando minha boca era preenchida 
Por seus lábios.

Hoje estamos separados,
É estranho te encontrar
E não mais poder estar ao teu lado,
Ainda sinto você como parte de mim,
Apesar de ter se passado tanto tempo.

É junho,
O frio chegou
As taças e o vinho estão a postos
E meu pensamento
Não hesitou em trazer a tua presença 
Para perto de mim.

Bebo o vinho e a saudade
Das tuas pernas enroscadas nas minhas
Mas a garganta continua seca
E as pernas vazias.
Embriago-me nas lembranças que o
Nosso amor nos permitiu
E acordo na ressaca da tua ausência.

O vinho é seco
E que seco se torne o meu coração
E mate a vontade que agora tenho
De trazer você para perto de mim.

Último gole,
Olhar vazio,
Minha taça está vazia.
Agora o que fazer?
As escolhas têm um preço,
Um peso
Tanto as minhas quanto as suas.
Fizemos as nossas.
Mas que quem disse
Que estávamos certos delas?
Não saberemos.

"Melhor" abrir outro vinho,
Provar outro sabor
E esquecer o seu gosto
Definitivamente.
Chega ser insuportável o convívio com a dúvida,
Com a incerteza
E com a presença de
Um talvez...

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tita’s


Chegou à noite e trouxe consigo seus mistérios,
Falta à lua e as estrelas, falta você perto de mim.
Pelo adiantar das horas, elas não vêm mais
E pelo visto você também não.
Mesmo assim fico a esperar,
Na esperança de vê-las
Pelo menos, por um só instante.

Longe vão os meus pensamentos
A procurar por você.
Esvazio minha alma todos os dias
A esperar por tua chegada.
A chegada de um ser de luz,
A iluminada.

Que me ensinou a arte de sonhar, de criar asas
E alçar vôos mais altos, que nem eu podia supor
Que era capaz de fazê-los.
E a chorar, a sorrir, a arrisca-se sem medo,
Sem pudor.

A que também me ensinou a acreditar em mim,
Mesmo quando as coisas não vão bem,
Quando não saem como prevíamos.
Ela que nos alertou que nessa vida
Quem muito se abaixa, mostra o fundo
Da calçola.

Tita’s
Que é meu amor, minha dor, minha saudade.
E quantas são as saudades que trago no peito agora.
Saudade de um tempo que só era minha
E da Palmeirinha  
Só e somente...

Saudades da Nega, irmã de Matonha, Terezinha
Mã, Lúcélia e Jubiabá.
Da moleca descalça embaixo do pé de jatobá
A fada madrinha das nossas fantasias
Da tia, irmã, filha...
Da Teta parceira das delícias
E das lutas por um mundo melhor
Socialista e feliz para todos(as).

A torcedora da legião flamenguista
Comunista por convicção e guerreira por natureza.
Quantas saudades...
Saudades sem fim nem começo
Apenas saudades...
Saudades de Rita da SUCAM,
Foliã das micaretas de Jequié
E dos carnavais de Salvador,
A fã de Joãozinho 30 
A amiga de Lenita de Jacobina,
Rita Barreto, Barretinho, Margô,
Clô, Marcelo, Fel, Kátia,
Boca de capela...
Comadre de Márcia, Loza, Lucinha e tantas outras.

Lembro-me com saudades
Das tardes que passamos a contemplar as andorinhas
A sobrevoar o céu e se esconder debaixo da ponte
Do nosso Rio de Contas.
Dos castelos, fortalezas e fazendas
Que vaziamos com freqüência,
No areião do rio.
Das vezes que sonhamos, rezamos, choramos juntos
Das noites em claro, ora no vício da jogatina do baralho
Ora a fazer doces para Jejeu.
Saudades...
Ah! Saudades eu tenho e muitas.

Dos shows de Allá-Madonna e visitas do papai Noel.
Da menina que perdeu a conga-colo e eu achei.
Fico a me perguntar por onde andarás
Ritinha, meu bem, a filha de Ziza e dona Mara
Além de aqui, dentro de mim?

Nasce o sol, caía a chuva, vem a noite e o luar
E a saudade descompassada insiste em mim procurar,
A perguntar por você.
Quantas coisas já vivemos juntos
E tantas outras que ainda haveremos de viver.
Hoje sei que tu não és mais minha
Tornou-se mulher, mãe, vereadora
Agora és do mundo, na verdade sempre foi
Eu que não queria enxergar,
Devido o excesso de zelo, de amor.

Você pertence a Maria Sílvia
Navega por mares desconhecidos
Mas é prazeroso contemplar o teu sorriso
E saborear dos teus momentos de felicidade
Pois a tua felicidade é ainda a minha felicidade.

A felicidade para você tem que ser um direito garantido,
Direto de ser feliz
Por tudo aquilo que é e tem sido em nossas vidas
E são milhares de vidas.
Se preciso fosse, abdicaria a minha felicidade
Em prol da tua, para jamais ter que vê-la triste.
Para não sentir o sabor de tuas lágrimas
Nem o aperto do teu coração.

Contudo, ficarei aqui em vigília
Esperando por tua chegada
Para saciar a minha sede de você
E matarmos a saudade que ousa nos sufocar
E que nos faz um pertencer ao outro
Por toda a eternidade.

Allex Borges
Viçosa - MG
Com todo o meu carinho e respeito a você, que faz e sempre fará parte do meu mundo, esteja onde eu estiver.


sábado, 4 de junho de 2011

O beijo


Tinha gosto de trident de melancia
Seu último beijo
Saciou minha sede
Umedeceu meus lábios secos.

Meu coração parou por um instante
E minhas carnes trêmulas
Não mais me obedeciam,
Eu já era todo seu.

Num instante...
Pairou um silêncio que gritava
Pela vontade de ter você
Um pouco mais.
Mas você partiu
E roubou uma parte de mim.
Fiquei assim
Sem seus beijos,
Sem seu gosto,
Despedaçado...

Ao abrir os meus olhos
Ainda pude ver sua sombra
Dobrar a esquina
Vagarosamente.
E eu permaneci ali
Imóvel.
O nosso encontro,
Também teve gosto de despedida.

Rasga peito sedento de saudade,
Saliva boca aflita por teu beijo
Materializa sonhos
E traz você de volta para mim
E gozemos juntos 
Nas escadas escuras do meu prédio
Como tantas vezes o fizemos.
Excitada em meus braços
Lambuza o sofá branco da sala
Com teus vestígios
E pise de salto agulha
Nesse inflamado coração
E faz jorrar amor.

Queria sentir teu beijo pela última vez,
Minto! Por muitas vezes.
Doce ilusão
Que eu gosto de ter.
Ficaram as lembranças,
A chama acessa
O porta-retrato sobre o piano
Ficou a vontade de te amar
E tudo aquilo que me faz lembrar você
A lua, os girassóis, as borboletas...
Ficou minha boca nua
A espera do teu complemento.

Ganhe o mundo,
Divirta-se com outros “amores”
Afinal, o amor é livre.
Beije tantas outras bocas.
Com o tempo
Verás que tudo é vazio
E quando se convencer disso
Sentirás a minha presença cheia
E irá me procurar outra vez
E então retornarás para o lugar
De onde nunca deveria ter saído
Meus braços.

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Palco/coração



Estrela do palco da vida
De tantos encantos
E de mil facetas
De tantos aplausos e holofotes
O que queres fazer no palco do meu coração?

Aqui
Não há glamour
Não há cortinas vermelhas,
Não há coxia.
Há um placo vazio
Simples na forma e nas cores
Um palco amador.

Vive-se apenas da persistência
Do bem querer,
Da simplicidade conquistada
A cada peça,
A cada musical
Do espetáculo da vida
Com sutileza e alegria.

Não há espaço para grandes companhias
Apenas peças do cotidiano
Das manifestações populares,
Um grande teatro do povo
Eu diria.

Os atores são desconhecidos,
O palco/coração também.
Não há grandes constelações,
Mas se quiseres, mesmo assim,
Compartilhar da tua luz nesse tablado
Sinta-se à vontade.

Não tenho muito a oferecer
Só a vontade de aprender a construir juntos
Novos sonhos, novas fantasias e novos cenários.
Não tenho um corpo de balé
Mas tem-se a emoção
E este corpo esguio que ora lhe apresento.

No palco/coração se trabalha com o improviso
Acredita-se que o talento vem da alma.
Pode ser que se tenha uma ou outra frase pronta
Como eu te amo
Que seja eterno enquanto dure
Ser ou não ser?!
Mas nada que retire o brilho e a verdade
Dos sentimentos que as palavras
Buscam traduzir.

Quando as luzes ascenderem,
E cortinas se abrirem para mais
Um espetáculo-vida
Tu pisarás nesse palco/coração,
Agora sem as sapatilhas.
E espero que a energia dele transmitida
Tome teus pés e alcance tua alma,
Enchendo-te de carinho e desejo
E a essência de tua presença
Irá dar o tom das emoções
E dançaras numa sintonia infinita
De êxtase e luz.

Assim, ao contemplar os mais nobres sentimentos
De amor e cumplicidade,
Ele promoverá um viver
Para além de um espetáculo,
Promoverá a vida
Uma vida encenada a dois
E vivida por dois.
E assim vou poder lhe pedir sem medo: casa-se comigo?


Allex Borges

Viçosa- MG