terça-feira, 9 de junho de 2020

IsoLAR

De uma hora para outra,
No piscar de olhos
O que éramos, deixamos de ser
O que tínhamos foi tirado de nós
E o que nos restou foi apenas o medo 
E a insegurança do que está por vir... 
Sonhei com heróis mascarados
E, ao acordar, fui surpreendido
Com pessoas de carne e osso
Usando máscaras
Água, sabão e álcool gel.

Máscaras, máscaras sempre 
Em qualquer parte.
Mãos limpas,
Isolamento
O que houve com o mundo? 
O que fizeram com a gente?
Quero abraçar e não posso, 
Cochichar ao ouvindo, 
Também não!
Apertar-lhe as mãos, 
Saudar,
Não está mais nada suave,
Como costumávamos a dizer, 
A vida ficou fria,
A comida também.

Se o isoLAR me retirou da aglomeração 
Das ruas,
Me devolveu o meu LAR
Agora vejo coisas que antes não via, 
Cheiros que não sentia
Por falta de tempo, 
Por possuir manias. 
IsoLAR não é prisão, 
É proteção
Para mim e para 
Os meus
Os teus,
Os nossos...

O inimigo invisível avança, silenciosamente,
Ele mata, não perdoa
Sobretudo, a quem nos viu nascer, 
A quem a gente toma a bênção... 
Pai, mãe, 
Vó e vô
Tios e tias
E a toda gente...
Nem dá tempo de se despedir,
Perturba nossa mente,
Fere o coração.

O coronavírus é inimigo 
Gripezinha é enganação, 
Não vacile, irmão!
Por mim, por você
Pelo bem da nação,
Se puder fiquei em casa, 
Esta é a lição...
                                    Alexandro Borges
                            Juiz de Fora, maio de 2020
                                      Dias sombrios!