sábado, 15 de dezembro de 2012

Encaixotar



Apagar as pegadas,
Encaixotar os sonhos,
Recolher o coração
De um mar de tristeza
E seguir em busca de uma
Nova descoberta
Que seja capaz de
Conduzir-me a horizontes
Mais propício à felicidade.

A vida é assim,
Fantasiamos muito,
Idealizamos demais
E de repente o que nos resta
É o vazio
Das relações fugazes.

Não sei se são as desilusões
Ou as certezas
Que a maturidade
Vai nos impondo
Que faz com que nossos sonhos
Se transformem
Numa película  
Em preto e branco.
Sei que algo muda,
Descolore,
Perde um pouco do perfume,
Da essência.

E eu que já esperei
Tanto da vida
Hoje me contento
Em poder abrir os olhos
Todos os dias
E contemplar o sol
Que nasce lá fora
Ou a chuva que encharca
O chão.

Não adianta correr,
Sem ser o momento.
Falar e não ter ouvidos
Para lhe escutar,
Sofrer
E não ter braços para afagar.
Amar
E não ter ninguém para
Retribuir...

Paciência
É a maior das virtudes
Para se compreender
Os desígnios da vida.
Não a tenho
E por isso vivo incompreendido,
Perdido,
Querendo entender
Qual o sentindo da vida
Numa lógica onde ter sentido
É simplesmente partilhar
De uma realidade
Sem sentido.


Allex Borges
Juiz de Fora, dezembro de 2012