quarta-feira, 18 de julho de 2012

Eu não


Eu não aceito nada
Que não seja meu,
Ainda que por um curto tempo,
Mas que seja meu
Somente.
Não é uma questão de egoísmo
Mas sim de
Exclusividade.

Eu não peço nada
O que é dos outros,
Pois pertence ao outro
Não a mim.
Dê a Cézar o que
É de Cézar
E deixa só o que
Me pertence.

Eu não temo nada
Que não seja real
Aos meus olhos
E ao meu coração,
Afinal, nem tudo que os olhos
Vêem são reais de fato.

Eu não desejo nada
Além do que está
Reservado para mim,
Sendo assim que se faça a vontade
Dos deuses
E não a minha.

Eu não devo nada
Que não caiba em meus bolsos
E que eu não possa honrar
Com os seus custos.

Eu não dou intimidade
A ninguém
Que me trate
Como um ninguém
Só um ninguém para
Acreditar que isso será
Possível.

Eu não escolho nada
Que possa me magoar,
Desiludir, embrutecer,
Perder a ternura.
A cada escolha uma responsabilidade,
A cada passo
Um desafio.

Enfim,
Eu não quero nada
Que seja pesado em minha vida
Nem pessoas, nem amigos,
Nem amores,
Nem nada.


Allex Borges
Juiz de Fora, julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Amar


Amar nem demais
E nem de menos,
Mas o suficiente para satisfazer
O nosso desejo de amar
E de se sentir vivo.

Amar a dois,
Amar a todos,
Amar um de cada vez,
Amar a si,
E não se sentir só
No amar,
Essa é a meta,
A linha de chegada
Para quem não quer
Passar an passant
Pela vida.

Amar sem se magoar,
Sem deixar que a intensidade
Do amar nos destrua,
Deixando-nos em frangalhos a lamentar
O sonho que se foi,
O beijo que não teve,
A despedida que foi inevitável
E o abraço que se tornou vazio.

Assim como a lua,
Amar também tem suas fases,
E o bom mesmo é saber aproveitar
Cada uma delas
Com serenidade
E lucidez
E deixar transbordar o desejo
Que emana da certeza
De permanecermos
Amando.

Que o medo de amar
Não nos amedronte
E nem que as diferenças
Sejam capazes
De minimizar o sentimento comum
Que nos une
E nos faz singular
No meio de tantas coisas iguais.
Pois, assim como diz a canção,
Ninguém é igual a ninguém,
Somos todos iguais
E tão desiguais
E alguns ainda mais iguais
Que os outros.

Amar não é correr risco,
Isso é uma inverdade.
Amar é cuidado,
É ver no outro
Uma perspectiva de parceria
E cumplicidade,
Amar não é suicídio,
É vida
Não é prisão
É liberdade.

Mas não feche os olhos
Diante do previsível
E nem tão pouco do improvável,
Ame de olhos esbugalhados
E pés cravados no chão.
Ame o real,
O que está diante de você
E não o que a sua imaginação
Rascunha.

Ame na certeza
E no limite que seu coração
Dê conta de suportar,
Assim sentirás livre
Toda vez que você precisar
Reaprender a
Amar.

Allex Borges
Juiz de Fora, julho de 2012

sábado, 7 de julho de 2012

Pouca coisa


De você lembro-me pouca coisa,
Ou quase nada.
Uma mania, um olhar,
O peso de sua mão sobre meu peito
Enquanto eu dormia, talvez,
E nada mais.

O vento levou seu cheiro de mim,
A traça corroeu tua imagem
Em minhas lembranças
E libertou-me desse vício,
Antes que me destruísse,
Que foi amar você.

Foram inúmeras às vezes
Que nos perdemos
E nos reencontramos,
Mas hoje nos perdermos
De vez
Em uma via sem retorno,
Ruas sem placas,
Beco sem saída
E eu comemoro tal
Acontecimento.

A noite escureceu os
Meus sonhos
E meu olhar se perdeu
Diante da pessoa
Que você se transformou.

Nunca pensei que ficaria feliz
Em me perder de você,
Mas a vida possui uma força
Que nos impulsiona
Sem sabermos ao certo
Para onde está nos levando, 
Acreditei nela e seguir
E ela me fez afastar de você.

Quando olho para traz,
Quando me deparo
Com o que você se transformou
Ou o que sobrou de você
Tenho certeza que fiz a coisa certa,
É lamentável...

Não lamento por nós,
Nem pelo sentimento
Que se foi pelo ralo,
Lamento pelo poder de autodestruição
Que emana de você
E te faz um ser
Cada vez mais infeliz
E só.  

Fiz minha parte,
Estendi-te a mão,
Mas preferiu a vala,
Então se enterre sozinho
Porque eu ainda tenho
Muita vida
Para ser feliz.
 Allex Borges
Juiz de Fora, julho de 2012