sábado, 7 de julho de 2012

Pouca coisa


De você lembro-me pouca coisa,
Ou quase nada.
Uma mania, um olhar,
O peso de sua mão sobre meu peito
Enquanto eu dormia, talvez,
E nada mais.

O vento levou seu cheiro de mim,
A traça corroeu tua imagem
Em minhas lembranças
E libertou-me desse vício,
Antes que me destruísse,
Que foi amar você.

Foram inúmeras às vezes
Que nos perdemos
E nos reencontramos,
Mas hoje nos perdermos
De vez
Em uma via sem retorno,
Ruas sem placas,
Beco sem saída
E eu comemoro tal
Acontecimento.

A noite escureceu os
Meus sonhos
E meu olhar se perdeu
Diante da pessoa
Que você se transformou.

Nunca pensei que ficaria feliz
Em me perder de você,
Mas a vida possui uma força
Que nos impulsiona
Sem sabermos ao certo
Para onde está nos levando, 
Acreditei nela e seguir
E ela me fez afastar de você.

Quando olho para traz,
Quando me deparo
Com o que você se transformou
Ou o que sobrou de você
Tenho certeza que fiz a coisa certa,
É lamentável...

Não lamento por nós,
Nem pelo sentimento
Que se foi pelo ralo,
Lamento pelo poder de autodestruição
Que emana de você
E te faz um ser
Cada vez mais infeliz
E só.  

Fiz minha parte,
Estendi-te a mão,
Mas preferiu a vala,
Então se enterre sozinho
Porque eu ainda tenho
Muita vida
Para ser feliz.
 Allex Borges
Juiz de Fora, julho de 2012

 

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