quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sinto


Sinto-me que estou em queda livre
Numa tentativa desesperada
Para poder se agarrar em algo
E assim me manter vivo
Diante da adversidade,
Mas não dá,
Não consigo
E continuo a despencar...

Caí os ideais,
Os sonhos,
As bandeiras,
O amor...
Cai os meus olhos
Diante de uma realidade cinza
Que chegou...

É desolador andar
Sem ter para onde ir,
Chorar ao invés de sorrir,
Calar quando a vontade que se tem
É de gritar:
Canalha, canalha, canalha!

A angústia que me toma
Corrói minhas esperanças
E eu não sei mais o que fazer,
O que dizer...

É triste quando você
Ver as possibilidades que poderia fazer de você
Um novo protagonista de sua história,
Ser usurpado,
Garfado,
Esvair-se
De uma maneira cruel e imoral.

E daí você se sente
Pequeno, 
Impotente,
Desamparado 
Diante de um mar de incertezas.

A quem recorrer?
A quem reclamar?
A onde pôr a cabeça cansada
Da sangria de ter que duelar
Com a vida todo santo dia?!

Me sinto só entre meus sonhos,
Desolado,
Amargurado,
Perdido no meio de tanta gente
Que nem sabe a dor que causa,
Que mata aos poucos
E retira o chão,
O pão...

Como resistir a tudo isso?
Nem sei se ainda quero resistir,
Ando tão cansado
Desse rolo compressor sobre mim.
Matam-me aos poucos,
Sangram minhas esperanças,
Roubaram minha coragem...

E eu que só queria encontrar
Com João de Santo Cristo
Em Brasília
Para ajudar-me a falar com a presidenta
Pra ajudar toda essa gente que só faz
Sofrer!

Juiz de Fora, setembro de 2016

Alexandro Borges