Enganou-me tantas vezes
Dizendo que me amava
E quando falou a verdade
Eu não acreditei,
Só me dei conta
Ao ver nosso guarda-roupa
Vazio.
Hoje sento à mesa
E ainda não me acostumei
A não ver o seu prato
Sobre ela.
Sinto falta de você
E das mentiras
Que me fazia feliz.
Enganei-me com tuas mentiras
E fiz delas as minhas verdades
Sonhei,
Sorrir,
Mentir que era feliz,
Que sonhava,
Que sorria,
Porque eu queria tanta coisa
Que não tinha nome.
E agora conviver com a realidade
É uma tortura voraz.
E quando a
gente
Quer muita uma
coisa,
O perigo de
nos tornar cegos
Diante de
outras possibilidades
É um risco.
Mas quem pode adivinhar?
A vida é cíclica, circular
E o passado tem
Muitas portas
Algumas cheias de trancas
De cima embaixo
Outras encostadas,
Entreaberta.
Mas elas estão lá
Esperando a nossa atitude
Na certeza de estar
Fazendo a melhor das
Escolhas
De uma vida.
Retiro os porta-retratos,
Guardo-os numa gaveta qualquer.
Um dia a moldura voltará sobre
A mesa,
Mas as fotos não serão mais as mesmas,
O tempo nos corrói
E diante disso
Não há como
Lutar.
Despeço-me a cada dia
De uma lembrança tua
E chegará um tempo que a ausência
Do seu olhar me fará livre
Para amar outra vez.
Fecho a porta,
Passo a chave
Essa história eu não quero viver
Mais.
Allex Borges
Juiz de Fora, março de 2013