quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pés descalços

Ando descalço
Pelo chão frio da casa
E sinto os pés
A refrescar-se com
A temperatura que
Emana dele.

Uma de minhas mãos
Percorre a parede branca
Enquanto eu sigo
Em direção à porta.
Fico parado diante dela,
Que permanece fechada.
Alimento a ideia que você
Poderia adentrar por ela
Outra vez,
Em vão...

Minutos, segundos, horas
Não sei quanto tempo
Permaneci ali,
Lembro-me, apenas, das minhas costas
Deslizando porta abaixo
E nada mais.
Permaneci encolhido,
Tentando sossegar
Uma dor
Que não queria adormecer,
Segurar as lágrimas
Que insistiam 
Em desobedecer.

E estando ali,
Agachado à porta,
Olhando o corredor em volta vazio
Senti-me distante,
Pequeno,
Só.

Ainda sinto a dor que
A ausência do teu amor me faz,
Uma dor semelhante
A de uma pobre rosa
Despetalada
Uma por uma
Até não sobrar mais
Nada
E fica uma lembrança
Do que foi,
Do que poderia ter sido,
Do que é,
Sei lá,
Dói...

A noite chega,
Invade a casa.
As chamas das velas
Iluminam a escuridão que chegou,
Mas não clareia a minha
Saudade
E nem preenche a tua ausência
Dentro de mim.

Caminho pela casa,
Vejo as minhas
Pétalas espalhadas
Em cada canto.
Olho para o teto,
Giro em torno de mim
Tudo se move,
Os móveis,
Os quadros,
Os livros,
Mas não move
O sentimento que
Me faz eu estar preso
À você.

Porque só tu
Foi a quem eu aprendi
A amar,
Somente tu,
Agora que não tem mais tu,
Não restou também o
Eu...
Allex Borges
Juiz de Fora, setembro de 2013