terça-feira, 9 de abril de 2013

Sentir



Sentir o seu olhar
Cruzar com o meu
Sentir o sonho,
A cor,
O tom,
O conto...

Sentir...

O cheiro,
Os seus pés roçando os meus
Debaixo dos lençóis,
O calor do seu corpo
Em noites intermináveis
De lua cheia,
Céu estrelado,
De prazer...

Sentir...

A boca pronunciar
Seu nome
Num sorriso,
O sabor dos seus beijos,
Em cada parte de mim.
O som de sua voz
A dissecar cada
Palavra de Florbela Espanca,
O coração aconchegar-se
Num carinho de um
Gesto seu,
Encantar-se...

Sentir... 

Segurança num abraço,
A terra desmoronar
Quando você vai embora,
A esperança ressurgir
Ao bater à porta
Ou posar na janela.

Sentir...

A sensação
De mão estendida,
De companheirismo,
De ter vindo para somar,
De não
Mais estar só...

Sentir...

É estar vivo,
É ver o mundo
De outro modo,
Com outra lente.
É se permitir, acreditar,
Arriscar,
Recomeçar, viver,
Chorar
Amar...
É experimentar o inesperado
Fantasiar o impensável
E viver além do limite
Esperado.

E você me faz sentir
Tudo isso
A todo instante,
Aliás,
Desde o momento
Que, dentre tantos,
Me  escolheu para amar
E me amando
Eu me sinto
Feliz,
Vivo
Desde já.
Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2013









quinta-feira, 4 de abril de 2013

Bela B



Minas Gerais é terra
Das minas de ouro,
Das pedras preciosas,
De mulheres destemidas
Isso não é novidade
Para ninguém,
Mas a pedra mais preciosa
Que eu encontrei por essas bandas
Tem nome, tem cheiro
Tem sorriso
E carinhosamente eu a chamo
De Bela B.

São tantas coisas a dizer,
Tantas outras para lembrar,
Outras tantas para se esquecer,
Tantas histórias, sorrisos,
Saudades, amores,
Cumplicidade...

No princípio de tudo,
No tempo em que ainda era Eliana,
Ela se apresentava como uma incógnita,
Um ser inatingível, intocável   
Aparentemente com um coração frio,
Não despertava emoção,
Uma muralha instransponível
E sem graça.

A vida tem muitos desígnios
E por conta de alguns deles
Uma carapaça, uma casca dura
Foi criada em torna dela
Ofuscando seu brilho,
Escondendo o que ela tinha de melhor...
Desconhecia o calor dos abraços
E a ternura refletida
Num beijo amigo.

O convívio na UFV conseguiu
Mudar tudo isso
E ao longo de quatro anos
Ela foi se desabrochando como uma flor
A cada manhã
E hoje a vemos e sentimos
Com outros olhos
E percebemos sua fragilidade,
Sua meiguice,
Seus medos e sonhos como
Todo mundo tem.

De posse de sua liberdade conquistada
Pudemos contemplar a grandeza que há
Nos seus gestos para conosco,
Para quem está à sua volta.
Experimentar novas emoções,
Novas palavras,
Novos carinhos
Fortaleceu nossa amizade
E a certeza que estaremos sempre juntos
Na maré baixa ou na maré cheia
Isso é gratificante
E único.

Bela não é uma só,
Não anda só,
Bela, Renata e Alex se completam,
São diferentes, fortes e destemidos,
Ao mesmo tempo, iguais, frágeis e medrosos,
Mas amigos, irmãos, companheiros
De sonhos, de lutas, devaneios
E cevadas.

Resumir a grandiosidade de Bela,
É algo em vão,
Pois ela não se resume,
Bem sabe Márcio, Eugênio, Mauro Henrique...
O que nos cabe dizer agora é que
Eliana Barbosa, Bela B, Lilinha
É uma mulher à frente do seu tempo...
Foi uma felicidade para nós
Ter compartilhado de uma fase da vida
Com você
Que agora chega ao fim
E já deixa saudades

De agora em diante
Serão inúmeras montanhas
Luas, estrelas, cruzes e girassóis
Que atravessarão nossos caminhos
E lembrar-nos-emos de você
Com carinho...

É com o peito cheio de amor
Que deixamos contigo
Nossa amizade
E a aliança de uma vida
Na esperança de um breve reencontro,
Valeu por tudo!

Aula da saudade- UFV: Não sei se aula dá saudade. Mas, há algo estranho acontecendo dentro do meu peito e não sei o que é.



Allex Borges
Viçosa, 06 de março 2003