domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amelice

Nos teus rebentos de mulher
Soubeste cumprir a missão de esposa
Sendo esposa, conhecestes a maternidade
E vivendo a maternidade,
Compartilhaste da dádiva de ser mãe.
Sendo mãe doou-se de corpo e alma
Para a realização de nossos sonhos.

Aqui, hoje nos encontramos,
Sem rumo e sem norte,
Nosso mundo perdeu a cor,
A vida perdeu a graça,
O tom,
O nosso tablado ficou vazio.

Caí à chuva, nasce o sol, canto uma canção
É triste, mas é prazeroso ficar
A lembrar de você,
Do seu jeito brincalhão
E receptivo como nos tratávamos.
A vontade que temos  
É de regressar no tempo
E trazer você de volta.
Choramos e sofremos acordados
Num pesadelo sem fim
Em uma noite sem luar.

Assim era Amelice,
Mesmo não dominando
Por inteiro as letras
Na vida foi mestra,
Soube somar, dividir e multiplicar
Seu amor por todos nós.
Sua alegria era ver a família reunida
Em volta da mesa
E a nossa era estar ao seu lado.

Seu coração acolheu a muitos,
Mas com passar do tempo,
Não suportou tamanha pressão.
Finando suas forças,
Preferiu sofrer sozinha,
Ao invés de sofrermos juntos
E com a mesma força com a qual viveu,
Partiu para ir ao encontro de Deus.

Passam-se as horas, os dias e as semanas
E cada vez mais fica tua presença
Registrada em nossa alma
Como símbolo de simplicidade, persistência,
Otimismo e luta.
Sua sina foi transforma-se em energia
Para quem se sentia fraco.

Que o calor dos braços de Deus,
Que agora te abraças,
Possa também nos aquecer e guiar-nos nas trilhas
Da união e da verdade.
Saudadessss

Allex Borges
Jitaúna, 12 de janeiro de 1999

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Experiência


Tenho aprendido muito com a experiência
Que a vida me dá aos longos dos anos.
É preferível andar de boca fechada
Do que correr o risco
De falar demais o que não deve
Ser dito em palavras
E daí se machucar
Em vão.

Calar quando se espera o grito
Não é sinônimo de submissão
Ou tão pouco de sangue de barata,
Mas de sabedoria,
Calma...
Nem sempre bater de frente
É o caminho para se chegar ao longe.
Tenha em mente que você pode mais
E é capaz de escolher outros caminhos,
Outros machucados
Para além do confronto
E da ofensa.

Eu tenho tantas coisas aprisionadas
Pelas grandes da memória
Esperando que o esquecimento
Faça sua parte
E me liberte dessa escravidão
Para assim
Poder olhar a vida
De um modo diferente
E reascender a chama no coração
Da esperança
E do amor
Que se apagou
Com o som de tantas palavras em vão,
Sem menor tipo de compromisso
Se a menor intenção de proteção
E zelo,
Mas acreditei,
Apostei alto,
Apostei minhas fichas
E perdi.

Diante disso peço apenas uma atitude,
Se não tem intenção suficiente de cuidar,
De se comprometer
Não plante palavras de raízes profundas,
Utilize plantas rasteira,
Não importa o tamanho,
Sempre será fácil o seu desapego.
E assim saberemos qual fruto que se pode esperar na colheita
Ou mesmo se haverá alguma colheita
Ou algum fruto...

Portanto,
Preste atenção no que fala,
No que planta.
Seja responsável pelas suas iniciativas,
Vigie sua conduta
E preserve o coração alheio
Isso será bom e sadio para ambos.
Sabe-se que o coração do outro é terra que ninguém pisa,
Então só você pode fazer o diferente.
Somos responsáveis pelas nossas atitudes,
Então não cuide demasiadamente de você
E se esqueça do outro.

Lembre-se a vida dá muitas voltas
E elas nunca são as mesmas.
E desavisadamente você pode ser atropelado
Por uma delas.
Não estou rogando praga,
É fato.
Mas temos o livre arbítrio
Então cuide da sua vida,
Pois estou a fazer isso da minha.

Allex Borges
Juiz de Fora, 23 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Labirinto


Há algum tempo que ando em vão
Procurando me achar
Mas toda vez que eu faço essa tentativa
Acabo me perdendo nos labirintos
De meus  eus...
E fico assim, sem saber,
Quem sou.

Cada dia uma descoberta, uma surpresa.
Amanhã não sei como será o dia
E como eu estarei nele,
Afinal, quem sabe?  

Eu sou aquilo que seus olhos vêem,
Aquilo que você quer que eu seja
Mas também sou aquilo que eu escondo,
Tenho duvidas,
Sou o que eu sinto
E também o que desconheço.

Você até pode me despir diariamente,
Tocar meu corpo
E beijar minhas costas
Mas nunca terás certeza
Se estarei inteiramente contigo.

Estou sem pressa para chegar
Ou me retirar.
Para abrir ou fechar a porta,
Para sentir o vento,
A tempestade
O nascer do sol
E o surgir das estrelas.

Agora sou assim,
Um caminho sem norte
Uma acompanhar
Desacompanhado.
Fizeram-me assim
E não me lembro mais
Como era antes,
Simples assim,
Descrente? Talvez!
Ou uma atitude acertada
Diante de sentimentos
De múltiplos sentidos.

Ando muito cheio de meus eus
E, por enquanto,
É assim que quero permanecer.
Quem está em paz consigo,
Jamais estará sozinho
Outra vez.
Allex Borges,
Juiz de Fora, 17 de fevereiro de 2012