Ando tão nostálgico nos últimos meses,
Sinto-me preso a um tempo
Que não volta mais,
Nem eu para ele
E nem ele para mim.
Olho em volta e
Fico a me perguntar
Onde está todo mundo?
Onde foi parar a
Nossa inocência?
A nossa alegria?
Os anos se passaram enquanto
Eu dormia acordado
Sofro com os dias que se inicia
E com os que foram deixados para traz.
É tão estranho perceber o tempo
Mudar as coisas de lugar,
Os sentimentos,
As pessoas,
O rosto...
Fiz tantas coisas erradas,
Andei tanto sem sair do lugar,
Me machuquei,
Decepcionei,
Acreditei...
Ferir e fui ferido,
Coração, às vezes machuca, mas faz parte da vida,
Afinal, cicatrizes são importantes
Para a gente saber o caminho
Que nos fez o que somos,
Negar as cicatrizes é negar a si mesmo...
Consola-me saber que a linha
Que costura a minha história
Têm paixões
E foram elas a minha bússola.
Ninguém esquece
As paixões de uma vida,
Eu não esqueci as minhas
E é bom trazê-las
Ao peito
Como marca de que
A vida fez sentido,
Ainda que seja uma paixão solitária,
Ainda que para os outros,
Você ainda esteja no meio caminho.
Ainda sim
É bom trazê-las aqui dentro de mim.
Juiz de Fora, agosto de 2016
Alexandro Borges