domingo, 28 de agosto de 2016

Nostalgia



Ando tão nostálgico nos últimos meses,
Sinto-me preso a um tempo
Que não volta mais,
Nem eu para ele
E nem ele para mim.
Olho em volta e
Fico a me perguntar
Onde está todo mundo?
Onde foi parar a
Nossa inocência?
A nossa alegria?

Os anos se passaram enquanto
Eu dormia acordado
Sofro com os dias que se inicia
E com os que foram deixados para traz.
É tão estranho perceber o tempo
Mudar as coisas de lugar,
Os sentimentos,
As pessoas,
O rosto...

Fiz tantas coisas erradas,
Andei tanto sem sair do lugar,
Me machuquei,
Decepcionei,
Acreditei...
Ferir e fui ferido,
Coração, às vezes machuca, mas faz parte da vida,
Afinal, cicatrizes são importantes
Para a gente saber o caminho
Que nos fez o que somos,
Negar as cicatrizes é negar a si mesmo...

Consola-me saber que a linha
Que costura a minha história
Têm paixões
E foram elas a minha bússola.

Ninguém esquece
As paixões de uma vida,
Eu não esqueci as minhas
E é bom trazê-las
Ao peito
Como marca de que
A vida fez sentido,
Ainda que seja uma paixão solitária,
Ainda que para os outros,
Você ainda esteja no meio caminho.
Ainda sim
É bom trazê-las aqui dentro de mim.


Juiz de Fora, agosto de 2016

Alexandro Borges

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mentir



Já menti por ser mais novo,
Continuei a mentir, agora,
Por ser mais velho.
Era por medo que eu mentia,
Para não ficar de fora,
Não se sentir sozinho.

Medo do julgamento do outro,
Da exclusão que silencia
E nos corrói por dentro
Igual cupim em madeira podre...
.
Foram tantas as mentiras
Que eu contei
Que me perdi entre elas
E a única coisa que eu busco em mim
É a verdade
Que eu desconheço...

O medo atrofia os sonhos,
Rouba o sono
Desbota a alma.
Eu não durmo,
Não sonho,
Apenas escrevo,
Ainda...


Juiz de Fora, agosto de 2016