quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem nunca?



Ouvir repetidas vezes
Aquela música
Remoer incessantemente
Velhas lembranças,
Cheiros,
Delicadezas,
Sutilezas...
Até secar a última lágrima
Que ainda resta
Não parece ser a saída
Para quem foi deixado à margem da estrada
Dos sentimentos.

Mas quando não se tem saída,
Quando o ferrão cravado no peito
Adormece a alma.
Quando ficamos sem saber por onde andar
E descansar a cabeça,
Essa parece ser a melhor opção,
Talvez a única.

Quem nunca fez isso
É porque mente.
Eu já fiz tanto
E toda vez que acontece
Prometo que será a última
Não é,
Não foi...
E tantas foram às outras promessas
Descumpridas,
Refeitas...

Se sofrer por um amor que se foi
É doloroso,
Ficar sem senti-lo,
É uma dor inconsolável,
Alienante...

Sofremos por se doar
E também por se recolher.
Mas a palavra de ordem 
É não
Desiludir-se.
Por que há muito
Por se viver
Até o mundo acabar...

Allex Borges
Juiz de Fora, novembro de 2013