terça-feira, 21 de abril de 2015

Bela


Bela é minha bela,
Só minha é ela
E ninguém é tão mais bela
Quanto ela.

Amo-te entre todas elas,
Sorte delas que só existe
Uma Bela,
A minha sempre Bela.

Bela adormecida em meus braços,
Desperta a inveja delas,
Mas na minha vida
Só há espaço para uma delas,
Para a minha sinhá tão bela.

Minha saudade é da Bela,
Que corta o peito,
Como navalha afiada,
Devido a ausência dela.
Meu coração clama por ela,
Que só aprendeu a amar a Bela.

Sou dela,
Sou da Bela,
Vivo por ela
E que ninguém ouse
Me roubar ela,
Pois já não sei viver mais
Sem ter o amor dela. 

Por isso que não me canso
De repetir.
Te amo minha
Sempre e única
Bela...


Alexandro Borges

Juiz de Fora, abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Entre

Entre os meus pensamentos,
Um lugar de refúgio
Onde eu posso amar
Em silêncio.

Entre meus versos,
Recordações multifacetadas
Daquilo que fui,
Do que restou de mim
E do que ainda posso ser.

Entre a fronha e o travesseiro
O teu perfume marcando território,
Perfumando minhas noites inóspitas.

Entre o céu e nuvens,
Aviões,
Dando-me asas para
Eu me perder em meus devaneios.

Entre as páginas do livro,
A descoberta,
Poesia,
Florbela Espanca,
Um parceiro de sonhos e confidências.

Por entre as persianas,
A tentação desnuda em pêlo
Se oferecendo como
Banquete do dia.

Entre os dedos
Aliança,
Terço,
O tempo que escorre sem cessar
Levando nossa juventude embora.

Entre a carteira.
Cartões de crédito,
Tua fotografia,
Que não me canso de admirar...

Entre um papo e outro
Café,
Açúcar,
Jornal do dia.
Notícias suas de chegada
E de partida.

Entre o jardim,
Rosas,
Beija-flores
Um aroma que perfuma a alma
E adoça a vida.

Entre o dia e a noite,
Crepúsculo,
Espetáculo,
Palmas
Um palco de estrelas para vivenciarmos
O nosso amor.

Entre o padre e a beata,
Oração,
Missa,
Confessionário
E o controle das condutas morais.

Entre o pão francês,
Manteiga,
Mortadela,
Lingüiça,
Conspirando contra minha dieta.

Entre o filme e o cinema,
Escurinho,
Pipoca,
Guaraná,
Nós, vivendo dramas, paixões e comédias.

Entre o mar e a areia
Biquínis,
Surf,
Caixote,
Ipanema inspirando desejos
E ilusões. 

Entre a vida e a morte,
Deus,
Medo,
Purgatório
A crença na imortalidade como consolo
Para a nossa condição finita.

Entre o sorriso,
Aparelho,
Dentista,
Alegria
De poder sorrir junto uma história
Feliz.

Entre a cama e o sono,
Edredom,
Sonhos,
Isônia
Nas noites que não está ao meu lado.

Entre eu e você,
Encontro,
A vontade de estar junto,
Amor recíproco
E a certeza de não estar mais só,
Nunca mais...


Alexandro Borges
Juiz de Fora, abril de 2015


















quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sentença


Sentenciei minha vida
No momento que permiti
Que me beijasse naquela noite.
Sabia eu, que começaria ali,
A trilhar um caminho sem volta
E, por muitas vezes, seria um caminhar solitário,
Não me enganei, infelizmente!

Entre palavras,
Olhares
E sorrisos,
Me perdi em desejos.
Meu corpo fala em braile,
Sensível ao toque,
E meus pensamentos se tornavam mudo
Diante daqueles que me revelavam.
E eu sorria,
Pois tudo aquilo só poderia se chamar:
Felicidade!

Mas aí
O entardecer não tardou a chegar,
As palavras voaram com o ventou que passou,
O sorriso desbotou,
Envelheci...      
E não sei quanto tempo durou
E nem o que sobrou
De nós dois.

Não me dei por derrotado,
Sou um homem de sonhos
E quando se tem sonhos
Sempre estará acompanhado.
Se pudesse voltar àquela noite,
Retomar aquele beijo,
Ainda sim o faria de novo.

Posso não ter trilhado o melhor dos caminhos
Ou escolhido o melhor dos mundos
Para viver,
Mas eu fiz dele o meu melhor
E quando se dá o seu melhor
Qualquer tentativa de espoliação a ele
Torna-se insignificante
Aos olhos
E repugnante
Ao coração,
Portanto,viverei.   


Juiz de Fora, março de 2015
Alexandro Borges