E pego carona num outro
Numa tentativa suicida
De chegar ao ponto final
E sossegar essa vontade
Louca de me achar
E assim preencher o vazio
Que sinto dentro de mim
Agora...
A dor que sinto é silenciosa,
Corrói o peito,
Consome a alma.
Uma dor particular,
Muda,
Solitária
Uma dor que clama por liberdade,
Por uma autonomia dos sentimentos
Que ainda não veio,
Se perdeu pelo caminho,
Atrasou,
Não chegou.
A ansiedade vivida
Envenena o sono
E passo noites em claro
A olhar o teto branco e frio
Do meu quarto
Vazio
Tentando encontrar
Algum sentido
Diante das desilusões
Do caminho.
A história se repete
E os erros também
Queria ao menos
Enxergar quais são,
Para não cometê-los outra vez
E poder voltar a acreditar
Nos sentimentos
Como assim
Foi um dia.
Achei que sabia tudo
E que tinha vivido muita coisa,
Estava enganado
E já não sei mais se a vida é
Uma caixinha de surpresa
Ou a caixa de pandora.
E aqui estou eu
Sangrando,
Derramando lágrimas
Conhecidas,
Amargas,
Desencantadas.
Ilusões feridas,
Alianças rompidas
E o que me resta
É sorrir para não envenenar
O coração plácido
Que carrego ao peito.
Hoje bebo fel
Com esperança
De amanhã poder
Brindar em taças de cristal
Amor,
Sonhos,
Esperanças
E a vontade de
Viver
E experimentar
Tudo de uma só vez.
Que bom que os dias
Não são todos iguais,
As pessoas,
As estações,
As coisas
E os momentos
Também não.
Allex Borges
Juiz de Fora, novembro de 2012