sábado, 10 de novembro de 2012

SO-nho


Desço de um sonho
E pego carona num outro
Numa tentativa suicida
De chegar ao ponto final
E sossegar essa vontade
Louca de me achar
E assim preencher o vazio
Que sinto dentro de mim
Agora...

A dor que sinto é silenciosa,
Corrói o peito,
Consome a alma.
Uma dor particular,
Muda,
Solitária
Uma dor que clama por liberdade,
Por uma autonomia dos sentimentos
Que ainda não veio,
Se perdeu pelo caminho,
Atrasou,
Não chegou.

A ansiedade vivida
Envenena o sono
E passo noites em claro
A olhar o teto branco e frio
Do meu quarto
Vazio
Tentando encontrar
Algum sentido
Diante das desilusões
Do caminho.

A história se repete
E os erros também
Queria ao menos
Enxergar quais são,
Para não cometê-los outra vez
E poder voltar a acreditar
Nos sentimentos
Como assim
Foi um dia.

Achei que sabia tudo
E que tinha vivido muita coisa,
Estava enganado
E já não sei mais se a vida é
Uma caixinha de surpresa
Ou a caixa de pandora.
E aqui estou eu
Sangrando,
Derramando lágrimas
Conhecidas,
Amargas,
Desencantadas.

Ilusões feridas,
Alianças rompidas
E o que me resta
É sorrir para não envenenar
O coração plácido
Que carrego ao peito.

Hoje bebo fel
Com esperança
De amanhã poder
Brindar em taças de cristal
Amor,
Sonhos,
Esperanças
E a vontade de
Viver
E experimentar
Tudo de uma só vez.

Que bom que os dias
Não são todos iguais,
As pessoas,
As estações,
As coisas
E os momentos
Também não.

Allex Borges
Juiz de Fora, novembro de 2012



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Nudez



Desnuda-me
As palavras,
As coisas,
Minhas vestes
E me deixa nu
Em seus braços
Fazendo-me feliz
Sob o céu estrelado
E lua cheia de Ogum.

Apague as diferenças,
Os vícios,
A distância que nos separa
E o medo que nos aniquila
E sejamos um só
Numa mesma rotação
De desejos,
De corpos.

Beija-me loucamente,
Demoradamente
Pois quero sentir seus lábios macios
Junto aos meus
E o seu gosto
Em minha boca
Mantendo viva a chama
Do sentimento
Que faz
Eu querer você
E você a mim
A todo o tempo.

Arrebata esse coração
Ardente em brasa
Que não aguenta mais de tanto
Amar você.
Aqueça sua alma,
Me aqueça
E me ensine a amar
Do seu jeito
De modo que possamos
Somar,
Sonhar,
Acreditar,
Nos permitir...

Repousa seu corpo
Sobre o meu,
Roce suas pernas
Entre as minhas,
Beba meu desejo,
E sacia a nossa vontade
De gozarmos juntos,
E em fadiga de
Prazer
Adormecer.

Rompe o silêncio da madrugada,
Desperte as palavras adormecidas
E diga-me que me ama
E façamos desta premissa
A nossa história
De amor.

Conte-me as estrelas,
Os planetas do céu
E traga-me o anel de saturno
E me peça em verdade
Case-se comigo?

Allex Borges
Juiz de Fora, Novembro de 2012