terça-feira, 20 de maio de 2014

De repente só



Para onde foi que não me levou?!
Cadê o beijo que me ensinou a dar?!
Onde foram parar os sonhos,
A poesia,
As violetas da janela,
A borboleta multicor?!

Como são as coisas!
Passei a vida toda perseguindo
O amor
E quando chegou,
Não percebi,
Estava preso diante da tela do smartfone,
Escapuliu feito areia
Por entre os dedos,

Agora eu nem sei mais
O que sentir...
Remorso,
Tristeza?
Esperança?
O quê?!

Fui cego diante dos teus olhos
E a saudade que tortura
E agoniza meu coração
É um martírio sem fim
E a prova viva,
Sentida na carne...

Perdi a oportunidade
De ser feliz,
Talvez a única
De uma vida toda,
Por não reconhecer
O amor em pequenas coisas,
Tolo que fui!
A soma delas
Certamente resultaria num amor maior,
Não somei,
Subtrair...

E eu que fiquei esperando
Um amor pronto,
Completo,
Insubstituível
Agora sigo só

Consolado por uma solidão
Que me sufoca,
Me cala
E envelhece.
Alexandro Borges
Juiz de Fora, abril de 2014