quinta-feira, 31 de março de 2011

Chove chuva

Chove chuva
E eu daqui da janela
Contemplando essa poesia viva
Que escorre lá fora
Quisera eu poder andar pelas ruas agora
De pés descalço
A me banhar em cada calha dessas casas
Assim, como eu, sem eira nem beira
E molhar esses meus pensamentos
Que por hora me atormenta, 
Numa sensação de dor e gozo...
Esconder essas lágrimas que se apresenta
Toda vez que tua imagem é retratada
Pelo meu desejo
Por minha vontade de amar...

Oh!Chuva
Encharca esse coração
Que ficou árido
Com o tempo
À esperar um amor 
Que nunca chega,
Que desconheço seu rosto,
Mas que sinto sua presença
Junto de mim...
E faça ele fértil outra vez
Para que novas vidas
Possam brotar
Novos amores
Possam desabrochar
E com eles
Novos sorrisos,
Sonhos,
Planos...
O brilho dos olhos
Que se perdeu 
Possa enfim retornar..

Pode ser estupidez
Embriaguez,
Lucidez
Mas enxurrada leve esses meus pensamento embora
Assim como tu fazes com tudo
Que atravessa o seu caminho.
Não quero mais sentir
Nada...
Deixe-me lavado de corpo e alma
Vacinado, impune...

Que as bocas de lobo não estejam entupidas
Que as bocas dos outros estejam silenciadas
Que a minha boca não ouse mais procurar 
E nem esperar outra boca...
Que essas lembranças sejam levadas,
Lavadas...

Chuva, coração, bocas e pensamentos...
Um piscar,
Uma oração
E, estou eu lá
A imaginar
Como seria
Eu e você a contemplar esta chuva
Nú, na cama, na rua,
Molhados...

Tolice a minha
Tolo o meu coração
É só uma chuva, apenas uma chuva...
O resto é especulação
De quem só conhece
A lição de amar
E foste tu que se encarregou de me ensinar
E agora não sei onde você está. 


A chuva passou
A enxurrada secou
Mas eu estou aqui
Vivo...


Juiz de Fora – 31/03/2010
03:11h

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não acho justo

Não acho justo
A gente separado.
É sabido que
Estamos presos
Pelo mesmo laço
Mas para mim é pouco
Quero-te por inteiro
Desnudo,
Ofegante,
Suado em luxúria
A roçar o seu corpo no meu

Onde sua boca procura a minha boca,
Procura os nossos beijos não dados
O nosso gozo adiado, tantas vezes
O nosso encontro sabotado.

Não tem explicação para estarmos separados
O meu corpo sente a ausência do seu
Minha alma vagueia a procura da sua...
E o meu coração,
Ah! Esse pobre coração
Não se cansa de esperar
Para bater junto ao seu.

Venha cá, se achegue.
Tem um sentimento grande
Aqui dentro de mim
A esperar por você...
Abaixo a resistência
Abaixo a sensatez
Ouve teu coração
Sobe a serra
Desemboca na minha cama
Sem medo, sem pudor.
Vem ver como aqui é lindo
Como pode ser lindo
Eu e você juntos.

Os dias estão longos
As noites, frias.
Há um silêncio insano
Que grita seu nome
E me deixa atordoado
Aperta meu peito
Aflige meu coração.

Olho o celular
Olho o e-mail
Sem sinal
Sem sorrisos
Sem palavras dóceis
Sem você...

Fecho os olhos
Ouço uma canção
E te chamo
Na esperança que venha
Ao meu encontro.
Te chamo...

Mas o sono chega
Você não veio.
Vem sono,
Vêm sonhos
Traga o amor que desejo
E também me desejas...

Dê-me a mão
Dê-me o tom
Vai sono
Traga meu amor
Não me faças dormir...
Quero só cochilar
Traga-me em sonho,
Para deixar minha espera,
Ao menos confortante
Estou fechando os olhos
Vem para mim...
Vem..ZZZzzzzz
Allex Borges
09/06/2010
02:21h

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais um dia

Chegou a manhã,
Chegou o sol
Ouvi o canto dos pássaros
Ouvi o barulho dos carros acordando.
Vi o céu azul
Vi o mar a bailar
Vi tudo em todos
Mas todos não foram suficientes
Para suprir a vontade
Que tenho de te.

É mais um dia que chega
E ainda penso em você,
Não deveria
Mas penso...

A saudade que sinto
Me sufoca
Me alimenta
Me faz vivo
Me deixa louco
Mas também me cansa.

Sua indecisão me machuca
E me faz sentir impotente
Diante das possibilidades
De nossa relação.

Amor,
Hoje resolvi tomar uma atitude
Abrir mão de nós.
Hoje resolvi mudar
Me reinventar...
Sigo só,
Faltando um pedaço de mim

Sentindo-me oco por dentro,
Esvaziado, dissecado...
Mas é preciso seguir
Desatar o nó que nos uniu.
Preciso seguir por mim, por nós
Pelo nosso amor...

Se restar tempo
E tu quiseres me alcançar
Siga meus passos
Deixados na imensidão
Dos desejos
Na infinidade dos sonhos
Na exatidão do chão.
Talvez ainda tenhamos chances

Amor,
Chegou à noite
Não veio a lua
Nem as estrelas
Nem o sono
Mas veio a vontade
Que eu ainda sinto
De ter você para mim...

Mais um dia se vai
E amanhã
Tudo começará de novo

Um olhar,
Uma direção
Um coração
Que não segue só
Por que tem gente
Tem cor
Tem você
Dentro dele.

Mas amor
Amanhã vai ser um outro dia
E seguirei sem você
E seguir sem você
É a mesma coisa
Que seguir sem mim.
Alle Borges
Juiz de Fora, 09/06/2010
14:30h

segunda-feira, 28 de março de 2011

Lágrimas de Iansã

Iansã hoje chora por essas bandas daqui,
Ouço os estrondos do seu soluçar
E o piscar reluzente de seus olhos.
Suas lágrimas encharcam o chão, antes seco.
Sinto o cheiro da terra
A aromatizar o ambiente agora

E a saudamos por isso:
Eparrei-Oiá!

Da minha janela fechada
Fiquei tentando descobrir
A razão do derramar das lágrimas de Iansã
Num caí de uma tarde, meio sem graça 

De domingo.
Não conseguir...

Sei apenas que as minhas derramadas agora
São de saudades...

Uma saudade que rasga o peito
Que corta como navalha amolada na pedra.
Uma saudade que sangra,
Saudades de sorrisos,

De cheiros,de abraços
E sonhos...

O cheiro de terra molhada me faz recordar
Do terreiro de d.Mara,
Das pegadas na lama das galinhas,

De Ziza chegando do cavalo morto,
Trazendo consigo jacas duras e moles.
Dos pés de laranjas, acerolas,

Dos flamboyant a sangrar lindamente
Diante dos nossos olhos.
Do lendário pé de jatobá...
Da casa amarela na beira da estrada

De frente para o Rio das Contas
E de janelas e portas abertas.
Só saudades...

Ainda não me acostumei a andar só
Não me acostumei com a saudade  

Que trago dentro de mim.
Uma saudade que tem vários nomes
E endereços.
Onde estão todos? 
Para onde foram todos?

Estou sentindo que me falta um pedaço,
Que estou diminuindo,
Reduzido em pedaços de
lembranças e saudades.
E a vontade que tenho
É de poder voltar ao tempo
E trazer tantas coisas de volta. 

Tantas histórias, semanas santas,
Andorinhas...
Tantos amores que se retirou
De um modo tão inesperado

Em um tempo em que éramos mais próximos,
Mais cúmplices.
De quando nosso amor não havia partido,
De quando eu não havia partido.

Não tenho muita coisa,
Não conquistei tantas outras...
Não construir impérios,
Não fiz filhos, nem escrevi livros

E nem plantei árvore...
Mas tenho um coração bobo
Onde tu podes passear de vez em quando
Que anda há um tempo descompassado 

Com a sua falta de notícias,
com a sua ausência...

Um coração que não adormece
A espera de um encontro, que não vem.
Não cansa de produzir amor
Só para poder te amar mais

E mais.
Sinto sua falta
sempre


Queria, ao menos, 
Que você soubesse.

Allex Borges
Juiz de Fora 01/03/2011
02:11h

domingo, 27 de março de 2011

Quando o virtual se tornou real

Manhã no centro do RJ
Ruas históricas, desertas.
Passos rápidos, silenciosos,
Pensamentos a mil.
Era chegado o dia
Faltavam alguns minutos
Para o passado se unir ao presente,
O sonho conhecer a realidade,
Para o medo ceder lugar a coragem.

Cinco anos intenso de convívio óptico
Agora era questão de poucos metros
Cada passo, uma aproximação...
Calafrios...
A busca de um novo começo
De uma virtualidade, dessa vez, palpável
Esperança...
A sintonia de dois corações, puros e dóceis.

A certeza de encontrar o virtual
Era forte, era viva
E se fazia pungente
Em cada lembrança, em cada papel guardado
O suficiente para não se distanciar dele
Para além do suportável.

O calor que afagava o coração,
Atormentava o corpo
Assolavam os pensamentos mais pudicos.
A vontade de querer estar junto
Persistia.

E assim,
Dado à distância
Não mais aos desencontros
Aos deletes e aos resets.
A espera de longa data,
A ansiedade de outrora,
As noites em claro, com o olhar fixo
Ora para a tela, ora para teto
Era agora mero detalhe.

Quando o virtual se tornou real
Os medos,
As dúvidas
E incertezas
Afloraram numa primavera infinita.

O coração parecia querer saltar do peito,
A barriga estava vazia e aquecida
Um friozinho na espinha.
As mãos geladas e trêmulas
Não sabiam como porta-se
Fora, dentro
Na boca, no bolso
Em todo canto e em canto nenhum
Elas não sabiam como fazer...
Já não se tinha muito que fazer.

Quando o virtual se tornou real
O sol os traiu,
Deixou o dia fechado
Esquivou-se para não presenciar o encontro
Em seu lugar
Mandou os ventos e o relento
Para não nos deixar a sós.

Também não havia girassóis
E nem borboletas
Mas tinha a gente
Inteira, acanhada,
Contente com o encontro.
Tinha o desejo,
Tinha as bocas secas
Sedentas por um beijo molhado
Tinha a vontade...

Tinha dois corações desavisados
Num amor sem fim
Sem pé nem cabeça
Insano...
Numa via de mão dupla.
Um encontro intenso e frágil
Irresponsável e modesto.
Ao mesmo tempo forte
Grandioso e nosso

Estava ali,
Cinto anos em cinco e poucos minutos de segundos.
Tudo junto e tudo misturado.
Certamente, os anos de virtualidade
Trouxeram consigo cumplicidade.
Tantas foram às coisas ditas,
Prometidas...
Outras tantas descobertas
E tantas de outras tantas compartilhadas
Estávamos ali, despidos.
Um diante do outro...

Quando o virtual se tornou real
O realismo das palavras,
Dos sons e gestos
O afagar do cheiro do outro
Era a mais perfeita tradução de persistência
De carinho e lealdade
Um sentimento,
Uma vontade dual.

Quando o virtual se tornou real
O perfume virtual invadiu o desprotegido corpo
E a vontade que se tinha
Era a de deleitar-se de prazer
Naqueles braços fortes,
Numa cama (des)conhecida.
De jogar a boa educação pela janela
E saborear cada pedaço daqueles beijos, que não foram dados...
Enroscar naquele corpo que não fora tocado
De libertar o sorriso tímido
Que parecia interromper
Alguma coisa por dizer.

Ali já se tinha perdido a noção do eu
E já não se sabia
E nem procurava saber
O que era real
O que era ficção...
Tudo era magia,
Tudo era devaneio.

Quando o virtual se tornou real
Tudo ficou assim, um tanto pequeno demais
Para os dois.
Havíamos crescidos
Nos tornados gigantes
E o lugar de antes, não cabia mais
Era preciso de algo maior
De mais espaço
De mais entregas.

Silêncio...

Quando o virtual se tornou real
As certezas de até então
Viraram dúvidas
O conhecido se tornou estranho
O familiar se tornou exótico
A esperança de ficar juntos
Cedeu lugar a certeza de um espaço improvável
E aos poucos fomos nos desconectando...
Aos poucos...

O sorriso amarelou
As palavras fugiram da boca
E já não sabíamos mais o que dizer.

Para onde foram as frases prontas ensaiadas
Diante do espelho?
Onde estar o tom?
Foi em vão....
Se perderam no emaranhado de pensamentos
Acionados em um milésimo de segundo
Em nossa mente
Tudo de vez....

Quando o virtual se tornou real
Passaram-se as horas
A alma experimentava uma sensação estranha
Como fosse sendo esvaziada,
Sentimentos sufocados e amordaçados.

Não se ouvia apelos, gritos ou gemidos
Apenas tristeza, desapontamentos
Aos poucos, o real se definhava, parecia não ter mais graça.
Quando o real se deu conta, estava ele amando sozinho
Amando por dois
Sentindo por dois.

Do virtual restou apenas uma esperança
De um dia viver o não vivido
Em algum tempo, em algum lugar.
Seguiu em frente
Sem pressa...
Deixando para trás a incerteza
Do encontro.

Do real, não sei bem o que restou.
É como um espelho embaçado
Impreciso...

Entre virtualidades e realidades
Não há muito que dizer
As palavras são insuficientes
Os sentimentos são líquidos

Vive-se tudo e nada de uma vida
Nem quente nem frio
Nem meu e nem nosso
Nem verdade e nem mentira
Apenas um talvez...

É isso,
Dessa relação
Pode nascer um talvez...
Talvez nos conheçamos
Talvez nos amamos
Talvez, talvez, talvezzzzz

Não se espante
Essa lágrima que umedece esse papel
Não é de tristeza
É o selo de uma história
Cheia de talvez
Sem começo nem fim
De dias sem noites
E noites sem dias
Do fim de um começo
De um começo sem fim.

Quando o virtual se tornou real
Bom, não existia mais o virtual
Agora era eu e você
Um instante...
Um olhar...
Um até breve

A mensagem na tela:
Seu computador está sendo desligado...
O meu coração
Também...

 Allex Borges

06/06/04
00:30h 
Dedicado a história de amor mais linda que já vivi, até o momento, e por ela tenho grande carinho.

Desencanto

A melancolia é minha companheira ultimamente
Uma angústia me apossa por inteiro, toma meus sentimentos.
Já não tenho mais ânimo para viver neste mundo complicado
Tudo está chato, sem graça, eu estou chato
Não consigo suportar a mim mesmo.

Ando e não consigo chegar a lugar algum
Corro e não alcanço a vontade de estar vivo.
A vida perdeu o encanto, não há mais emoção
Agora tudo se confunde

Inconscientemente ou conscientemente. não sei ao certo,
Magoou as pessoas que gostam de mim e que estão a minha volta
E acabo por afastá-las do meu convívio...
.
E agora permaneço aqui, sozinho
Sofrendo, calado, isolado no meu canto, no meu mundinho fechado
Acredito que esta deva ser a melhor forma de sofrer
Se é que existe alguma forma boa,
Algum estado bom par se poder sofrer.
Mas prefiro assim, eu e a solidão...

Não quero que as pessoas que amo sofra junto comigo,
Aliás cada uma delas já tem seu próprios problemas
E seus sofrimentos
E isso é e basta.

O meu amor por vocês é imenso,
Por isso não quero que  compadeçam de meu sofrimento,
De algo que é só meu.
Não há que se preocupar, irei superar a minha dor.
E quando isso acontecer, estarei sorrindo novamente,
Cantando madrugadas adentro,
Deixando a vida transbordar de alegria
Fascinada pela grandiosidade da lua no céu e estrelas a piscar.

Contemplarei o nascer e o pôr-do-sol em sua virtude diária
Vagarei entre as flores espalhadas pelos campos
Perfumando o espírito, purificando o coração.
Farei de tudo para ser feliz
Embriagado pela louca aventura de viver
Mas agora, neste momento, não posso fazer nada disso
Agora eu só lamento.
  Allex Borges
                                                Viçosa 03/04/00
                                            

Uma noite...

Noite fria,
Sem sono...
Um horário de verão
Que leva as horas embora
Num piscar de olho
Tal qual um ilusionista
E seu jogo de cartas marcadas.
Uma gripe que chega...
Uma lua que não vem...
Uma estrela solitária
A brilhar...


Um aperto no peito
Uma lágrima que brota.
Olho em volta
Cama vazia...
Travesseiro ao lado
Um cheiro nos lençóis
Que lembrava o teu
E assim...
Me dou conta que estou só
Mas num instante pensei
Que fôssemos dois
E que o amor havia instaurado em mim,
Em nós?
Então, meu braço se convence
E para de procurar o teu corpo
Junto ao meu.


Tenho sede,
Um nó na garganta
Uma sede ávida
De de ter você...
Uma vontade que mina como um minadouro
E transborda o meu desejo
De buscar você em cada canto
De mim.

Pensamentos correm à madrugada
Nas pontas dos pés
É pura precaução
Temendo acordar-te do teu sono
Mandando-me embora...
Desejo que abra teus olhos juntos aos meus
Olhos de paixão
E me peça para ficar...


Quando penso em você
Vejo que são tantos os caminhos
Que se cruzam.
Caminhos que não voltam mais
Alguns paralelos, infinitos.
Outros sombrios, desconhecidos
Qual tomar?
Qual caminho chega 
A você?

Uma música
Ah! sim uma música
Para deixar essa saudade
Doce...
Saudade leve
Pois falta uma parte,
O seu sorriso grudado ao meu.
Uma ensolarada manhã
Falta...

Allex Borges
Juiz de Fora - 18/11/2010 - 03:40h
Aos amores de minha vida: Jubiabá e das Neves... amo-os eternamente.
Eu com o peito cheio de saudades

Eu quero esquecer...

Eu quero te esquecer
Apagar teu semblante da minha mente.
Não mais sentir seu cheiro no meu corpo,
Nos meus lençóis e em minha alma.
E nem ver a terra ceder aos meus pés
Toda vez que eu te encontrar,
Quando eu ler tuas mensagens
Ou quando contemplar a lua pela janela
E ela retratar você.
Não quero mais perder o rumo,
Perder o prumo...

Preciso te esquecer
Rescrever uma nova história
Pois sei que não me pertence
Porque és do mundo, do Rio, do André, Rodrigos, Marcelos...
Porque é maior do que eu posso abraçar
Talvez, alcançar...

Preciso ficar só
De corpo, alma e pensamentos.
Preciso me esvaziar de você
Já não dá mais para viver
No emaranhado de incertezas
Percorrer um caminho
Que era para ser feito a dois,
Não quero mais caminhar só.

Afasta-se de mim os girassóis
E as borboletas também,
Os campos de trigo...
Pois eles estão impregnados
De você

O que sinto por você é transcendental
Ultrapassa a linha do real
Da metafísica 
Essa coisa sem contorno, sem nome
Mas ao mesmo tempo concreta e obsessiva
Amizade, amor, admiração
Sei lá...
Meu coração é ignorante
Não decifra o que alimenta
Só sente...

Uma dor sem compasso
Uma ausência sem fim,
Uma perda sem perder
Já que nunca o tive
Do modo que queria
Como eu sentia
Como eu sonhava.

E nesse desespero que me abate
Fico assim sem saber o que fazer
Sem saber o que sentir
Sinto tantas coisas
E tantas coisas me fazem sentir
Eu, você e eles.

Nossa história está a desbotar
O tempo se encarrega
De passar a tela a limpo
E quando as novas tintas
Acabarem de colorir o novo quadro vida
Quero estar sorrindo
De felicidade e de realização
Outra Vez...

Apesar de ter a certeza
Que os rabiscos de outrora
Estarão lá,
Escondidos embaixo das camadas de tintas
Como uma marca de que um dia
Tudo que agora viverei
Agora sentirei
Não passa de uma nova tentativa
Em busca da felicidade
Que é construída juntos.

A esperança
De descobrir no outro
Seus encantos e desses encantos
Encantar a vida.

Enfim, quero desencantar de você
Desencantar da nossa história
Do nosso encontro
Dos nossos eus
Eu e você um par por inteiro
Você e eu apenas um par pela metade
Capenga...

Sei ainda que por muitas luas
Para onde andar
Estarás comigo
Por mais que eu resista ou duvide
Que eu fuja de você
Estarás comigo
Porque és parte de mim
E sendo parte de mim
Eu vivo em você e você
Viverá em mim. 
Allex Borges
Viçosa- MG, 07/08/2004
15:03h
A você que já foi muito parte de mim...

Posinho – 1522 (quinze vinte e dois)

Ao sairmos de casa a conquista de outros mares,
O destino nos conduziu até esse pouso
De nome Posinho
E, por alguns anos,
Atracamos nosso barco
E fizemos dele e do 1522
O nosso porto seguro.

Muitas coisas foram vividas,
Experimentadas,
Descobertas
Por todos que ali passaram.
Algumas eternamente lembradas,
Outras, de alguma forma, esquecidas
Pelo tempo,
Pela pouca memória
Pela distância
Ou por nós mesmo
No intuito de reescrever uma
Outra história...

Mas quando chega o final de tudo
Que temos que partir,
Procurar outros cais
Para atracar,
Quando saímos em busca de outro além-mar
A saudade de tudo e de todos
É tamanha
Pode ter certeza.
E tudo se tornará apenas lembranças...

Quem passar pelo 1522, terá a missão
De ser sempre companheiro nosso
De sonhos, conquistas e lutas.
"Pois quem traz no peito esta marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida",
A estranha mania de ser feliz
De nos fazermos 

Amigos.
                                                 

                                 Allex Borges- Viçosa- 2003

Dedicado ao Posinho- apt.1522, minha república na Universidade Federal de Viçosa-MG

Hoje


Hoje estou completamente só...
Completamente desamparado...
Completamente tristonho...
Completamente sem sono...
Completamente sem sonhos...
Completamente inseguro...
Completamente incompleto.

                                         
Allex Borges
Palmeirinha- BA