segunda-feira, 28 de março de 2011

Lágrimas de Iansã

Iansã hoje chora por essas bandas daqui,
Ouço os estrondos do seu soluçar
E o piscar reluzente de seus olhos.
Suas lágrimas encharcam o chão, antes seco.
Sinto o cheiro da terra
A aromatizar o ambiente agora

E a saudamos por isso:
Eparrei-Oiá!

Da minha janela fechada
Fiquei tentando descobrir
A razão do derramar das lágrimas de Iansã
Num caí de uma tarde, meio sem graça 

De domingo.
Não conseguir...

Sei apenas que as minhas derramadas agora
São de saudades...

Uma saudade que rasga o peito
Que corta como navalha amolada na pedra.
Uma saudade que sangra,
Saudades de sorrisos,

De cheiros,de abraços
E sonhos...

O cheiro de terra molhada me faz recordar
Do terreiro de d.Mara,
Das pegadas na lama das galinhas,

De Ziza chegando do cavalo morto,
Trazendo consigo jacas duras e moles.
Dos pés de laranjas, acerolas,

Dos flamboyant a sangrar lindamente
Diante dos nossos olhos.
Do lendário pé de jatobá...
Da casa amarela na beira da estrada

De frente para o Rio das Contas
E de janelas e portas abertas.
Só saudades...

Ainda não me acostumei a andar só
Não me acostumei com a saudade  

Que trago dentro de mim.
Uma saudade que tem vários nomes
E endereços.
Onde estão todos? 
Para onde foram todos?

Estou sentindo que me falta um pedaço,
Que estou diminuindo,
Reduzido em pedaços de
lembranças e saudades.
E a vontade que tenho
É de poder voltar ao tempo
E trazer tantas coisas de volta. 

Tantas histórias, semanas santas,
Andorinhas...
Tantos amores que se retirou
De um modo tão inesperado

Em um tempo em que éramos mais próximos,
Mais cúmplices.
De quando nosso amor não havia partido,
De quando eu não havia partido.

Não tenho muita coisa,
Não conquistei tantas outras...
Não construir impérios,
Não fiz filhos, nem escrevi livros

E nem plantei árvore...
Mas tenho um coração bobo
Onde tu podes passear de vez em quando
Que anda há um tempo descompassado 

Com a sua falta de notícias,
com a sua ausência...

Um coração que não adormece
A espera de um encontro, que não vem.
Não cansa de produzir amor
Só para poder te amar mais

E mais.
Sinto sua falta
sempre


Queria, ao menos, 
Que você soubesse.

Allex Borges
Juiz de Fora 01/03/2011
02:11h

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