Chove chuva
E eu daqui da janela
Contemplando essa poesia viva
Que escorre lá fora
Quisera eu poder andar pelas ruas agora
De pés descalço
A me banhar em cada calha dessas casas
Assim, como eu, sem eira nem beira
E molhar esses meus pensamentos
Que por hora me atormenta,
Numa sensação de dor e gozo...
Numa sensação de dor e gozo...
Esconder essas lágrimas que se apresenta
Toda vez que tua imagem é retratada
Pelo meu desejo
Por minha vontade de amar...
Oh!Chuva
Encharca esse coração
Que ficou árido
Com o tempo
À esperar um amor
Que nunca chega,
Que desconheço seu rosto,
Mas que sinto sua presença
Junto de mim...
Que nunca chega,
Que desconheço seu rosto,
Mas que sinto sua presença
Junto de mim...
E faça ele fértil outra vez
Para que novas vidas
Possam brotar
Novos amores
Possam desabrochar
E com eles
Novos sorrisos,
Sonhos,
Planos...
O brilho dos olhos
Que se perdeu
Possa enfim retornar..
Pode ser estupidez
Embriaguez,
Lucidez
Mas enxurrada leve esses meus pensamento embora
Assim como tu fazes com tudo
Que atravessa o seu caminho.
Não quero mais sentir
Nada...
Deixe-me lavado de corpo e alma
Vacinado, impune...
Vacinado, impune...
Que as bocas de lobo não estejam entupidas
Que as bocas dos outros estejam silenciadas
Que a minha boca não ouse mais procurar
E nem esperar outra boca...
E nem esperar outra boca...
Que essas lembranças sejam levadas,
Lavadas...
Chuva, coração, bocas e pensamentos...
Um piscar,
Uma oração
E, estou eu lá
A imaginar
Como seria
Eu e você a contemplar esta chuva
Nú, na cama, na rua,
Molhados...
Molhados...
Tolice a minha
Tolo o meu coração
É só uma chuva, apenas uma chuva...
O resto é especulação
De quem só conhece
A lição de amar
E foste tu que se encarregou de me ensinar
E agora não sei onde você está.
A chuva passou
A enxurrada secou
Mas eu estou aqui
Vivo...
E agora não sei onde você está.
A chuva passou
A enxurrada secou
Mas eu estou aqui
Vivo...
Juiz de Fora – 31/03/2010
03:11h
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