sexta-feira, 29 de abril de 2011

Acertando os ponteiros


Preciso acertar os ponteiros
Do meu relógio-vida
Para não mais perder a hora,
Para não mais perder a vez.
Pois estou sempre atrasado
No caminho que conduz a você.

É sempre assim,
Quando penso que finalmente
Irei alcançá-la,
Você se distancia ainda mais de mim,
Esvai-se
Tal qual uma utopia,
Num eterno vir a ser.
E eu fico só na vontade,
Numa sensação de que passou a vez
Ou de quem dormiu no ponto
Ou fora dele.

Então você se foi
E eu
Perdi o trem da vida,
Perdi a direção,
Perdi a chance de seguir na tua companhia,
Deitar-me na tua cama
E ter você em meus braços
Nua em pêlo.

Sinto no peito o pesar de uma relação a dois
Agora interrompida.
Sonhada e idealizada em tantas noites,
Seja num porta-retrato em cima do piano 
Como insígnia do nosso amor,
Seja num simples sorriso dado
Ao contemplar a lua e as estrelas.

Hoje li um poema fascinante
E procurei por você.
Queria eu compartilhá-lo contigo,
Não te achei,
Não te acho mais como antes.
Demorei acreditar na tua partida,
Foi tudo tão inesperado
E acabou por deixar tantas coisas não vividas
Para traz.
Ficou o desejo pela comida pronta que compraria para nós,
Por não saber cozinhar
O lamento por não ter te ouvido você tocar,
E tantas, outras tantas vontades.

Sei que és libra,
Ascendente em câncer,
Lua em peixes.
O que faz meu coração canceriano
Manter a esperança de encontrá-la
Em uma outra vibe.
Talvez a encontre,
Talvez não
Não temos garantia nenhuma
Mas quem tem?
E tudo fica assim
Quando penso em você
Tão perto e tão longe
Tão minha e tão dos outros.

Por mais quanto tempo
Ficaremos afastados?
Outros nove? Talvez quatro? Quantos?
Nada sei.
O que me resta
É esperar uma próxima estação
Sozinho...

Calei-me
Estou acertando os ponteiros
Do meu relógio.
Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Amei

Quando a gente ama
Ama tudo e pronto.
Eu sou assim,
Piso no acelerador do coração
E sigo rumo à pista alheia.
Não olho placas e nem velocímetro
O que eu quero é vivenciar a emoção
De chegar lá e de ser feliz.

Não tenho medo de amar
E se quer perder a direção
Ou mesmo de errá-la.
Meu amor não tem freios
E não sabe viver só para si.
Cruza pontes, vira curvas,
Encurta distâncias
E por vezes,
Atropela a si mesmo.

Com você não foi diferente
Eu te amei por inteiro.
Amei cada parte do teu corpo,
O teu toque
E cada um dos teus encantos.

Amei tua sabedoria,
Tua sagacidade,
Os teus beijos e malícias.
Amei teus desejos,
Amei tua cara de anjo
E teus modos de demônio.

Amei a adrenalina e o perigo
De estar ao teu lado.
Amei teu cachorro,
Teus amigos.
Amei o mundo
Que você abriu para mim.
Amei teus cheiros,
O teu suor no meu corpo.
Amei nossas transas
E teu gozo.

Amei teus defeitos,
Todos eles.
Amei porque eu quis amar
Por minha conta e risco.
Porque acredito
Num amor completo, cheio.
E mesmo assim
Tu não foste capaz
De abrir o teu coração
Para me amar
E me retirar do lugar de troféu
Para o lugar de seu amor.                                                   .

Amei até não mais suportar
A dor da tua ausência.
Amei o tempo
Por ter levado você embora.

Amei a vontade
Que estou a sentir
De poder amar
Mais uma vez.
E tantas outras
Que for preciso
Para eu poder ser feliz
Amarei.

Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Teu olhar

É noite,
A cidade já pegou no sono
Todos adormecem tranquilos e serenos
Acredito que até sonham,
Só eu não.

Fico aqui na cama acordado,
Viro de um lado para outro
Esperando tua chegada
E teu complemento.

Incansavelmente, busco a energia
Que exala do teu corpo
E que é vital para minha sobrevivência.
Amanhece
O sol está a desapontar
E você não veio,
Nem uma linha,
E nem um sinal.
Queria ao menos ouvir tua voz,
Que por sinal
É a melodia que mais gosto,
Mas o telefone está mudo.

Meus pensamentos vão a tua procura,
Não sei onde tu estás
Mas sei que vou te achar.
Estou impregnado pelo desejo de ter você,
Ainda que seja por um só instante.
Se te busco, sei que vens ao meu encontro,
Ainda que em sonhos.
Se eu corro,
Tropeço e caio em teus braços,
Ainda que eles estejam tão longe.
Se eu canto,
Encanto-me por teus encantos,
Ainda que sejam muitos.
 
Meu coração te chama,
Meus lábios o deseja.
Meu corpo te pertence
E faça dele
Teu servo, teu homem.

A noite voltou...
Olho para o céu estrelado
E elas retratam o brilho do seu olhar
Olhar que eu espero olhar
A fim de encontrar no teu olhar
A sinceridade do amar. 
Amar ainda que por uma única vez
E será eterno
Para um coração carente
De amor e de você.
Allex Borges
Viçosa-MG

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tombos


A te lanço meu olhar
Neste pedaço sagrado de chão mineiro
Abençoado pelo sangue derramado dos indígenas
E pelo suor que escorria de cada rosto dos escravos.

É que com coragem que enfrentamos o desafio
E enfiamos a mão no barro para plantarmos a nossa semente.
Semente pequenina, na verdade.
Mas que esse chão sagrado que lhe falo,
Irá ajudá-la a germinar
E gerar preciosos frutos
E desde frutos tantos outros frutos
E tantas outras sementes
E tantas outras vidas.

As águas do Rio Carangola
Não hão de deixar-la morrer de sede
Ou mesmo de fome.
O Catuné e a Água Santa irão ficar atentos
Para ouvir seus apelos
E atender seus anseios.

Seremos fortes, volumosos e encantadores.
Assim como és as quedas d’água,
Berço terno onde tu nascestes
E embala ainda hoje teus sonhos,
Tua emancipação e tua história.
História construída com a presença marcante
De cada morador,
De cada personagem des/conhecido
Que faz desse pedaço de chão a sua vida.

Que nenhuma praga encontre teus campos,
Que chegue à tua porta.
Esperamos que o Morro do Papagaio,
Esconda suas costelas
E desabroche seus encantos.
Encantos que fascina e irradia
Em cada coração, em cada olhar
A esperança de dias felizes.

As tuas praças sentem saudades
Do trem amigo,
Das pegadas deixadas pelo seu José
E de tantos outros que ali passara.
Mas cedem lugar para seus jardins
Cheios de Margaridas, Telmas, Lucianas...
E que teu seio seja sempre motivo
De conquistas e zelo.
Que tuas lágrimas sejam transformadas em gotas de orvalho
Logo pela manhã.
Manhãs que só acordarão com a tua presença viva
Lutando, caindo, reagindo, sofrendo e vencendo,
Ainda que tudo pareça ser tão distante
E tão impossível.

A possibilidade de tentarmos de novo
É que nos faz fortes,
É que nos faz tombenses duros na queda.
É através dos tombos que aprendemos a caminhar
Caminhos que podem nos levar ao sucesso ao fracasso
Para a vida ou para morte

E mortos nos sentimos
Quando estamos longe de te,
Quando o nosso cordão umbilical tem que ser arrebentado
Para trilharmos novos caminhos
Devido à falta de oportunidade de continuarmos juntos.

Juntos, estaremos até a eternidade.
Mesmo não pisando teu chão sagrado
Pois ali, junto com a semente plantada,
Plantávamos também o nosso coração
Que a cada batimento
Faz pulsar o amor que nos embala 
E nos faz sermos felizes.
Que faz de te
Um lugar inesquecível.

Allex Borges
Tombos-MG, novembro de 1999
    
Dedicado a Tombos e ao projeto ‘Por uma educação básica do campo’ desenvolvido pela prefeitura local em parceria com a UFV.

domingo, 17 de abril de 2011

O Imaginário


Sentado as bordas do mar,
Agora me encontro.
Fico a olhar o imenso horizonte
Vendo o céu encontra-se com o mar
E o mar a encontra-se comigo.

O balé das ondas é formidável
Mistura cor, força e simpatia.
Da espuma límpida de suas ondas
Nasceu Vênus,
Nasceu o amor que embala
Os corações apaixonados do mundo inteiro.

É sabido que lua é dos amantes, não só ela
Mas também o mar, o coração, a vida...
Nascemos para amar,
Cada um do seu jeito,
De sua maneira,
Com suas possibilidades.

Portanto, nenhum amor é melhor do que outro,
Nenhum amor é mais do que o outro
Todos são amores
E todos são dignos de existir.
De serem sentidos,
Apreciados sem dor
E sem culpa.

Eu ando a procura do meu amor,
Vago pela noite,
Adentro a madrugada
Cruzo a serração
E adormeço no breu. 
Degusto sonhos.
Bebo esperanças
Durmo com a solidão
Esperando a felicidade
E assim me sentir
Acompanhado.

A dor no meu peito é profunda,
Amarga como fel
Faz-me chorar.
O vento que passa leva minhas lágrimas
E deságua no oceano da tristeza
Que está dentro de mim e não quer sair.

Estou à espera do meu amor,
Para me arrebatar dessa vida vazia
E me fazer completo, cheio.
Embalar minha vida
E exorciza essa minha solidão crônica
Que me persegue
Há anos.

Um amor que me traga a liberdade.
Que me faça galopar sobre as águas,
Correr montas e planícies
E se pôr no mar de nossos sonhos.
Que compartilhe do meu ser,
Que me faça existir.

Se eu existo é porque sei que tu existes
Se te espero, porque sei que tu vens ao meu encontro
E se te quero
É por que te amo.

Amar-te é mais difícil que cruzar o deserto do Saara,
Que sustentar os planetas no universo,
Unir os oceanos e os continentes.
Pois eles são reais,
Permitidos.

E você é uma vontade proibida
De quem tem sede e fome de amar
Um amor diferente,
Desigual,
Mas um amor verdadeiro
E digno como outro qualquer.

Um amor que eu amo ter
Que eu amo ser.
Um amor que é
E será
Seja no meu imaginário,
Seja nos meus delírios,
Seja aqui dentro de mim,
Verdadeiro.

Allex Borges
Ilhéus- Bahia 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Gladiadores


Vivo a gladiar com o mundo,
Com a vida,
Com o coração,
Comigo mesmo
Dia após dia,
Numa batalha sem fim.
São dois seres presentes em um único corpo,
Uma única mente.

Um é guerreiro,
Estar acima do bem e do mal
Senhor de si,
Inatingível,
Empoderado por suas escolhas
E cientes de seus desejos, de suas paixões.
Dono de um coração indomável.
Ouve mais, fala de menos.
Risco, descompromisso, tesão.
Uma equação simples
Com um denominador comum
Sexo.

Um outro uma criança grande,
Vive de sonhos,
Constrói castelos,
Sente-se como um personagem
De contos de fadas adaptado.
Inseguro diante das emoções,
Havido por paixões
E juras de amor eterno.
Fala o que sente, o que deseja
Tem um coração que espera pulsar a dois
Ouve uma canção várias vezes
E saí a dançar pela casa.
Deita no chão e olha para o teto
Como se fosse uma grande tela de cinema
A retratar sua história de amor.
Ama o amor.

É uma quebra de braço de gladiadores
Ou quem sabe uma luta de Titãs.
Não há vencedores,
Há um revezamento de lugares.
Não são siameses
E nem são opostos
São complementares
E trazem consigo
A vontade de arriscar,
De ser feliz.
Talvez ainda não tenha acertado o passo,
A melodia não tenha agradado,
Mas o amor ainda está lá.

Contradições, vontades, insegurança, medos
São tantas misturas,
Tantas porções mágicas e reais
Que faz desse ser de duas almas
Um retirante no mundo dos sentimentos.
É estranho se sentir assim,
Dividido em um,
Algo pouco lógico
Em um terreno onde a lógica
É algo pouco relevante.

A vida continua sempre,
Certamente os gladiadores e Titãs também
Mas a vitória será sempre uma incógnita
No terreno do coração,
Na imensidão dos afetos,
Aqui dentro de mim.

Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Volta para mim...


Oi! Onde você está?
Há tempos que não vejo
Seus passos,
Não vejo seu sorriso.
Estou morrendo de saudades
Volta pra cá,
Volta para casa,
Volta para mim.

Tenho tanta coisa para lhe mostrar,
Outras tantas para lhe contar
Para fazermos juntos.
Vem, volta
Venha ver como eu cresci,
Venha ver como estou forte.

Já sei andar sozinho,
Vem me encontrar.
Vamos correr na lagoa,
Tomar café naquela galeria que tu gostas.
O centro cultural está com uma nova exposição
Venha ver comigo,
Venha me mostrar,
Como só você sabe fazer.

Estou pronto,
Estou a tua espera
Volte para meus braços
De uma forma como nunca teve antes.
Plantarei campos de trigo,
Terei jardins floridos
Para a tua chegada.
Venha ver as borboletas.
Venha ver os girassóis
Comigo.

Volte! saia daí.
Seu lugar está guardado
Em meu coração,
Em meus pensamentos
Na minha vida.
Vem e fica,
Não vá mais embora.
Eu vou ficar aqui,
Você saberá como me encontrar
Eu vou te esperar.
Volte para mim
Outra vez...
Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Doce lembrança

Às vezes, me pego pensando em você
E como teria sido a gente juntos.
Resgato a sua fotografia
Guardada no fundo da gaveta
E por um instante
Chego a pensar que o tempo não passou
Para nós
E nem para o sentimento que
Tínhamos um pelo outro.

Leio algumas linhas
Deixadas por você
E sinto como se tu estivesses
A sussurrá-las ao meu ouvido,
Palavra por palavra.
Chego a sentir
A sua respiração junto da minha
E o coração aperta no peito.

Antes, era apenas alguns quilômetros
Que nos separava.
Hoje temos um mar inteiro entre nós.
Tu chegas e eu saio,
Eu volto e tu já foste embora.
São tantos desencontros
Que marcaram nossas vidas
E que determinaram o nosso destino.

Não sei o que sinto ainda por você,
Talvez seja amor ou não
Ou quem sabe saudosismo
Por me fazer recordar de uma ingenuidade
Típica dos amantes de primeira viagem.

Trazer à tona uma fase em que o amor
Era só uma vontade de um coração inocente
Capaz das maiores loucuras
E devaneios para ter a pessoa amada.
Por me fazer lembrar de um eu
Que se perdeu pelos caminhos da vida
E que resta muito pouco dele.

Mas não estou preocupado
Em desvendar tal sentimento
Sei que vamos nos reencontrar
E quando você estiver diante dos meus olhos
Saberei a resposta
Ou talvez não.

Sinto sua falta,
Mas torço por sua felicidade.
E quero que consigas chegar
Ao topo de suas idealizações.
Mas não posso negar
Que eu tenho saudades,
Que eu queria você aqui comigo
Que eu queria estar aí contigo.

Você é e sempre será uma doce lembrança,
O melhor dos sorrisos.
O melhor dos cheiros
Que eu gosto de ter.
Você é o melhor
Do meu melhor.
Allex Borges
Juiz de Fora, Abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Mar

Estou perdido diante da vastidão do mundo,
Diante da vastidão dos corações.
Quero encontrar meu norte,
Levar seu coração como bússola,
O seu corpo como mapa,
Sua cama como barco
E nu
Mergulhar no mar dos seus sonhos.

Preciso ancorar na sua vida,
Ser conduzido pela força de sua voz
E naufragar no orgasmo do seu desejo.

Eu só consigo navegar contigo,
Ir bem longe, ultrapassar as linhas,
Os trópicos,
Cruzar o horizonte
E esquecer de tudo
E assim
Viver para nós,
Para a nossa vida.

Só serei feliz contigo,
Não me deixes à deriva,
Pois só sei nadar
Nas lágrimas dos seus olhos.
Não preciso de portos.
Com você em me sinto seguro.

Contigo eu tenho força,
Ganho rumo.
Você transforma o mar em água doce,
Mata minha sede,
Inunda minha alma.
Faz brilhar a estrela do mar
Nas águas turvas do oceano de nossas vidas.

Acredito eu,
Que o nosso barco de amor
Será o primeiro de inúmeros outros
Que nos seguirão
Sem medo,
Sem tempestades,
Sem corsários.
O nosso curso é infinito,
O percurso é lento
Temos todo o tempo do mundo
E todo o amor também
Isto nos basta para sermos felizes
Em alto, médio ou baixo mar
Da vida.
Allex Borges
Palmeirinha- Bahia

sábado, 9 de abril de 2011

Desejos


Senti desejo de passear e lá estava eu
A caminhar pela praia
Contemplando a lua e as estrelas
Brilhando no seu imenso mistério,
Que privilegiado fui eu.

Senti desejo de recolher as conchas
Encontradas pelo caminho.
E lá estava eu a sua procura,
Queria esquecer do tempo
E me perder em pensamentos,
Que incosequência
Era a minha.
 
Senti desejo de escrever poemas,
Falar do que eu sentia,
Do que carregava no meu peito.
E lá estava eu a escrever na areia,
Queria eu ser poeta,
Que ironia
Era a minha.

Senti desejo de rolar nas dunas
E lá estava eu
Presente naquela imensidão.
Queria eu ser livre,
Que loucura
Era a minha.

Senti desejo de me molhar e lá estava eu
Encharcado pelas ondas do mar
Saudando Iemanjá,
Que satisfação e fé
Era a minha.

Senti desejo de fazer um pedido
E assim o fiz
Pedi o endereço da felicidade,
Queria eu ser feliz,
Que sonho
Era o meu.

Senti desejo de ser alegre
E lá estava eu
Triste a vagar
Que sorte triste
Era a minha.

Senti desejo de falar de amor com você,
E assim não o fiz,
Que covarde fui eu,
Queria eu ser amado por te
Mas sei que não vais me amar
Que sensatez
Foi essa minha.  
Allex Borges
Jequié - Bahia




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nós

Você e Eu uma história de amor sem início, meio e fim.
Eu e você olhando o luar e tecendo o nosso destino.

Você e Eu no fórum, na igreja, na cama.
Eu e Você, comendo um ao outro na mesma ferocidade.
Paixão, desejo, tesão, tudo junto.

Você e Eu sofrendo, chorando, vencendo e sorrindo.
Eu e Você distante, carente e com pressa.

Você marchou rumo ao desconhecido,
Nas mãos do destino se doou.
Deixou lembranças e saudades,
Levou otimismo e esperanças.
Não pensou em mim
Seguiu a diante
E não olhou para traz.

Eu fiquei só,
Eu e a solidão
A solidão e eu,
Não sei ao certo.
O pulsar de até então
Não existe mais,
Afinal, não existe o que na verdade
Nunca existiu
A não ser para um de nós,
Para mim.

O tempo passou
Você fracassou, voltou e me procurou.
Eu sofri, chorei, reagir e recusei.
Você e Eu um labirinto de portas e janelas
Eu e Você uma prisão sem grades e sem muros
Nós um erro, um drama, um carma.  
Allex Borges
Juiz de Fora-MG