segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tombos


A te lanço meu olhar
Neste pedaço sagrado de chão mineiro
Abençoado pelo sangue derramado dos indígenas
E pelo suor que escorria de cada rosto dos escravos.

É que com coragem que enfrentamos o desafio
E enfiamos a mão no barro para plantarmos a nossa semente.
Semente pequenina, na verdade.
Mas que esse chão sagrado que lhe falo,
Irá ajudá-la a germinar
E gerar preciosos frutos
E desde frutos tantos outros frutos
E tantas outras sementes
E tantas outras vidas.

As águas do Rio Carangola
Não hão de deixar-la morrer de sede
Ou mesmo de fome.
O Catuné e a Água Santa irão ficar atentos
Para ouvir seus apelos
E atender seus anseios.

Seremos fortes, volumosos e encantadores.
Assim como és as quedas d’água,
Berço terno onde tu nascestes
E embala ainda hoje teus sonhos,
Tua emancipação e tua história.
História construída com a presença marcante
De cada morador,
De cada personagem des/conhecido
Que faz desse pedaço de chão a sua vida.

Que nenhuma praga encontre teus campos,
Que chegue à tua porta.
Esperamos que o Morro do Papagaio,
Esconda suas costelas
E desabroche seus encantos.
Encantos que fascina e irradia
Em cada coração, em cada olhar
A esperança de dias felizes.

As tuas praças sentem saudades
Do trem amigo,
Das pegadas deixadas pelo seu José
E de tantos outros que ali passara.
Mas cedem lugar para seus jardins
Cheios de Margaridas, Telmas, Lucianas...
E que teu seio seja sempre motivo
De conquistas e zelo.
Que tuas lágrimas sejam transformadas em gotas de orvalho
Logo pela manhã.
Manhãs que só acordarão com a tua presença viva
Lutando, caindo, reagindo, sofrendo e vencendo,
Ainda que tudo pareça ser tão distante
E tão impossível.

A possibilidade de tentarmos de novo
É que nos faz fortes,
É que nos faz tombenses duros na queda.
É através dos tombos que aprendemos a caminhar
Caminhos que podem nos levar ao sucesso ao fracasso
Para a vida ou para morte

E mortos nos sentimos
Quando estamos longe de te,
Quando o nosso cordão umbilical tem que ser arrebentado
Para trilharmos novos caminhos
Devido à falta de oportunidade de continuarmos juntos.

Juntos, estaremos até a eternidade.
Mesmo não pisando teu chão sagrado
Pois ali, junto com a semente plantada,
Plantávamos também o nosso coração
Que a cada batimento
Faz pulsar o amor que nos embala 
E nos faz sermos felizes.
Que faz de te
Um lugar inesquecível.

Allex Borges
Tombos-MG, novembro de 1999
    
Dedicado a Tombos e ao projeto ‘Por uma educação básica do campo’ desenvolvido pela prefeitura local em parceria com a UFV.

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