sexta-feira, 15 de abril de 2011

Gladiadores


Vivo a gladiar com o mundo,
Com a vida,
Com o coração,
Comigo mesmo
Dia após dia,
Numa batalha sem fim.
São dois seres presentes em um único corpo,
Uma única mente.

Um é guerreiro,
Estar acima do bem e do mal
Senhor de si,
Inatingível,
Empoderado por suas escolhas
E cientes de seus desejos, de suas paixões.
Dono de um coração indomável.
Ouve mais, fala de menos.
Risco, descompromisso, tesão.
Uma equação simples
Com um denominador comum
Sexo.

Um outro uma criança grande,
Vive de sonhos,
Constrói castelos,
Sente-se como um personagem
De contos de fadas adaptado.
Inseguro diante das emoções,
Havido por paixões
E juras de amor eterno.
Fala o que sente, o que deseja
Tem um coração que espera pulsar a dois
Ouve uma canção várias vezes
E saí a dançar pela casa.
Deita no chão e olha para o teto
Como se fosse uma grande tela de cinema
A retratar sua história de amor.
Ama o amor.

É uma quebra de braço de gladiadores
Ou quem sabe uma luta de Titãs.
Não há vencedores,
Há um revezamento de lugares.
Não são siameses
E nem são opostos
São complementares
E trazem consigo
A vontade de arriscar,
De ser feliz.
Talvez ainda não tenha acertado o passo,
A melodia não tenha agradado,
Mas o amor ainda está lá.

Contradições, vontades, insegurança, medos
São tantas misturas,
Tantas porções mágicas e reais
Que faz desse ser de duas almas
Um retirante no mundo dos sentimentos.
É estranho se sentir assim,
Dividido em um,
Algo pouco lógico
Em um terreno onde a lógica
É algo pouco relevante.

A vida continua sempre,
Certamente os gladiadores e Titãs também
Mas a vitória será sempre uma incógnita
No terreno do coração,
Na imensidão dos afetos,
Aqui dentro de mim.

Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011

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