quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu não sou você

Você tem o direito de pensar o quiser de mim,
Agir da forma que bem entender
A escolha é sua e os riscos também.
O que sente,
O que odeia,
O que desdenha
Faz parte de um hall de sentimentos que você criou
E dele é responsável
Ou irresponsável.

Não estou à mercê dos seus julgamentos,
Sou bem maior que isso
Sou filho de Oxalá
Sou Oxaguian
Sou protegido de Iemanjá.
Não perca tempo em ofuscar o meu brilho
É inútil.
Ao invés disso,
Busque localizar onde está o seu
E siga em frente.
O tempo não para
Para você trocar o pneu
Nem para ficar
Arrastando correntes.
Ele te empurra, te leva junto.

Não faça de mim o seu alvo.
Nem deposite os seus fracassos,
Nem sua solidão.
O problema não estar em mim,
Nem no mundo
E nem na vida
Está em você,
Em suas escolhas,
No que você fez com a sua vida
No que a vida deixou de fazer por você
Mas ainda a tempo para ser diferente
Tempo da mudança.

Não peço para que continue em minha vida
Nunca pedi.
Você veio,
Ficou um tempo,
Sorrimos, choramos
Vivemos.
Mas não lhe pertenço
Nem a você, nem a ninguém,
Nem a mim mesmo.
Acorda desse pesadelo
Levante desse divã
Assuma as rédeas de sua vida
Faça uma faxina na alma
Jogue fora esse peso
Que carrega no peito,
Seja leve,
Liberte-se. 

Agora, se quiseres ir embora,
Sinta-se à vontade.
Está no seu direito.
Não vou lhe impedir,
Nem vou chorar.
A vida continua
Assim como era antes de você chegar,
Assim será depois da sua partida.
Ficarei triste por algum tempo
Mas depois o tempo fará sua parte.

Outros chegarão, outros irão embora.
E a vida se reinicia, se inventa
Os sentimentos
Os amores
E os vínculos, idem.
Nada pode ser forçado
Nem o amor, nem a dor.

Eu sou assim
E gosto de ser,
Agir e pensar assim.
Amar sem obrigação,
Sem pesar.
Amar por amar
Sem esperar nada em troca.

Eu não sou você
E nem pretendo ser.
Não me dê uma cruz
Que não me pertence,
Já tenho a minha
Fica em paz
Vá na paz...
Por que eu estou bem e assim que vou ficar.
Ninguém é insubstituível
Eu não sou,
Você também não é.


Allex Borges
Juiz de Fora, abril/2011

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