quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Doce...

Quando estou com você sinto-me doce
Ao ponto de esquecer, por um instante,
O amargor que a experiência da vida
Entornou pelo meio do caminho
E me faz re-descobrir a
Melhor parte de mim.

Foram tantas as tintas
Que a vida me pintou
Algumas neutras, sombrias,
Tintas frias
E me perdi no meio delas.

Mas, tal qual um escultor,
Que possui a capacidade de enxergar
Para além do que seus olhos veem,
Você consegue, minuciosamente,
Ultrapassar camada por camada
E encontrar a essência do meu eu
Que se perdeu encoberta
Por inúmeras mãos de tintas.
E faz-me acreditar que ainda é possível
Resgatar o que eu nem sabia que ainda estava
Vivo dentro de mim.
Só você possui essa proeza,
Você...

Diante do sentimento que nos envolvia
O meu coração pedia para eu ser louco,
Mas minha cabeça colocava grades
E não me fez ir além
Deixando tudo subtendido
Pelo meu olhar
E por uma vontade que foi adormecida. 

Diante do teu olhar fico desnudo,
E do aconchego dos teus braços
Sinto-me protegido,
Não temo a solidão.
Seu amor é tão puro, inocente
Que eu não sei direito como lidar,
Sei apenas sentir
E sei que ele é imenso.

Falei tantas mentiras que eram verdades,
Verdades que eram mentiras
Para proteger você
Do mundo e de mim mesmo
Pois não queria que sofresse.
Se fui egoísta, perdoe-me!
Agir com melhores das intenções
Pois não suportaria a dor de te magoar,
E por isso preferir sofrer calado e partir.
Agora vendo você diante de mim
Sei que tomei a decisão certa.

Vai! Voa o campo florido
Ainda tem muitas coisas para viver,
Para descobrir,
Encantar.
Eu ficarei aqui
A preservar
O sentimento que só você
Consegue despertar
Em mim.


Allex Borges
Juiz de Fora, 21 de dezembro de2011



   

domingo, 27 de novembro de 2011

Viçosa, um breve adeus - Parte II

Chegou o tempo de partir,
De dizer um breve adeus,
Ou quem sabe um nunca mais...
Chegou a hora de recolher a âncora
E deixar o barco partir
Em busca de novos mares
E novos portos para atracar
Ou ficar a deriva de mais sonhos,
De mais conquistas,
De mais vida. 

Certamente, o tempo será cruel conosco
Borrando nossa mocidade e vivacidade.
As bocas não serão mais atraentes
De quando aqui chegaram
E nossas lembranças
Serão sucumbidas pela traça do tempo
Sabemos disso...

Mas se não ficar tudo,
De certo ficarão àquelas lembranças
Que nos marcou profundamente
E nos remeterá à mente
Toda vez que ouvirmos
O nome de Viçosa
Ou quem sabe perereca.
A UFV será sempre
Um caminho de possibilidades
Que nos permitiu
Criar asas e alçar vôos maiores,
A pensar o impensado
A viver o inesperado.

Bom, pessoal!
O solo foi fértil
E a semente germinou.
Chegaram os frutos
E o momento da colheita.
Daqui seguiremos caminhos distintos
E tantas serão as sementes da semente
Que hão de ser plantada vida a fora.
E os frutos dos frutos que virão
Também serão abençoados.

O barco está pronto,
A terra está a descansar
A espera de outro plantio
E as bocas de autora, agora professam:
O que farei da minha vida?!
Não quero voltar para casa!
Esse lugar é bom demais!!
Mas é preciso seguir
A diante.

Sei que a saudade nos sufoca
E já não há palavras para expressar
O que sentimos.
Desapegar da terra encantada
Não é uma tarefa fácil,
Só quem viveu aqui
Sabe a medida do que isso
Representa para nós.

Foi muito bom compartilhar
De uma vida e de um momento
Com vocês.
Hoje uma pergunta nos angustia
E o futuro?
Não há o que nos aflingir com o futuro
Viveremos o presente
Pois o futuro de certa forma
Acontecerá.

Adeus Viçosa,
Adeus Bar do Leão
Adeus Jarbinhas,
Adeus Galpão
Registro, Pva
E Bandejão
Eu to formando!!!


Allex Borges
Viçosa, março de 2003

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Por você


Queria poder parar o tempo
Só para tê-lo por inteiro,
Para falar da grandeza do meu amor
Por você.
Mas não dá,
Não posso
Sou limitado,
Impotente
Diante da grandiosidade do mundo,
Da covardia dos homens
Diante de nossa separação...

Apesar de tudo, fica a certeza que,
Por um momento, em nossa relação,
Eu fui capaz
Por você,
Por mim,
Por nós,
Pela nossa felicidade
De me transformar em nuvem
Se chuva fosse o que desejaste ser.
Rio se tu desejasses ser peixe,
Mar se pretendesse ser caís
Abelha se tu desejasses ser um campo florido.
Transformar-me-ia em silêncio
Se tu preferistes ficar só.
Se transformasse em passado
Faria desse passado o meu presente.
Mas acabou...

Sei que o barco precisa voltar par alto mar
Para que outros ventos o levem pra frente.
Foi bom o tempo que eu pude te amar
Ajudou-me a superar barreiras,
Romper preconceitos,
Quebrar tabus
A amar de uma forma diferente,
Com cheiros,
Toques
E gozo,
Que até então,
Os desconhecia.

É preciso sorrir
Sorrir ainda que tudo pareça ter sido em vão
Sem motivo,
Nem razão.
E sonhar,
Sonhar ainda que o dia não nasça feliz
Que você não se sinta feliz.

Feliz é se deixar conquistar por um amor
Amor de coração,
De corpos
E alma
Sem barreiras,
Medo
Decepções,
Um amor que lhe traga vida
Vida que agora entristece com tua partida
Que parte meu coração,
Que leva parte de mim,
Que não deixa nenhuma parte tua
Mas que mesmo assim
Insistes em partir.

Allex Borges
Viçosa, novembro de 1999

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sem você

Ontem estávamos juntos,
Felizes,
Amando e sendo amado,
Hoje estamos distantes,
Sofrendo e sendo esquecido.

Amanhã não sei ao certo,
Se estaremos
Sorrindo ou chorando,
Amando,
Sendo amado
Ou mesmo,
Esquecido.

Sei que agora os dias passam sem graça,
Sem brilho
E sem cor
Pela minha janela
Que até então, já não abro mais,
Permanece trancada,
Tal qual o meu coração.

As noites são frias,
Sozinhas,
Sem a tua companhia.
Não há mais estrelas
E o luar perdeu seu encanto,
Sua magia...

Volta e meia meu pensamento
Saí a tua procura
Para não me senti só.
E quando a saudade aperta o peito
Machucando-me
Olho tua fotografia
E fica a sensação
Que estás a me fitar
Igual da primeira vez
Que nos vimos,
Onde dispensamos as palavras,
Pois já éramos um do outro
E eu acreditei que
Seria assim pra sempre.

A vida sem você
É como um cais abandonado,
Um barco sem velas,
Um arco-íris sem cor,
Sem chuva,
Sem nada...

Não ouço mais tua voz
Que soava como música aos meus ouvidos
Nem as gargalhadas
Que embalava minha alegria
E minha vontade
De ser apenas
Seu
Todos os dias.

Perdi o teu rastro,
O teu viver
E assim me fez
Eu me perder
De mim.

Allex Borges
Viçosa, abril de 1999

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Viçosa, um breve adeus - Parte I

Não aguento mais, quero ir embora!
Nossa! Não suporto mais ficar aqui.
Tô com saudades de casa,
Quero ir embora.
Engraçado, não?!
Pois é, parece que foi ontem
Que essas palavras se repetiam
Incansavelmente
Por bocas de gente de todo canto,
De todo lugar ao pisar em solo viçosense.

Algumas vindas de muito longe,
Cruzando fronteiras,
Mares,
Outras nem tanto assim.
Umas vieram a pé,
De camelo,
De bumba
Experimentando o sabor da poeira
Da estrada,
Com uma mala cheia de medos
E expectativas
E algumas mudas de roupa.

Outras aterrissaram de pára-quedas
Trazendo consigo o sabor das nuvens
E a liberdade dos céus
E uma vontade grande de conquistar
O inesperado.
Também tinha aquelas que aqui já estavam,
Bocas nativas,
Acanhadas
Saboreando o sabor da novidade
E a troca de hábitos, desejos e sonhos.

Do encontro de tantas bocas
Cresceram a fé na vida
E juntos compartilhamos tantas anseios,
Loucuras e devaneios
Que nos marcará para sempre
Como um sinal de felicidade
E de vivacidade.

Éramos um bando,
Uma trupe,
Éramos parceiros
E o que nos unia e nos tornavam fortes
Era o fato de que viemos todos em busca de novos mares
E de novos portos para atracar.
Da vida conhecíamos pouco,
Por isso não desgrudávamos dos cadernos
Com o intuito de aprendermos todas as lições
Que a vida nos proporcionaria estando ali.

Os dias se passaram,
Passaram anos,
Greves,
Nico Lopes,
Jarbinhas, Galpão e Leão
Fábrica de Festas, Betinho,
Lanches Lú, pastel na feira nas manhãs de sábado
E o cachorro quente do Sô Nenzito na praça da prefeitura,
Passaram os shows no Recanto das Cigarras
Cenários onde vivemos e experimentamos grandes emoções,
Histórias para serem contadas em uma vida inteira
Tomadas por uma experiência universitária
Única e personalística,
Mas chegou o momento de partir,
Agora somos nós que passaremos
Para ceder lugar às novas bocas,
Novas lágrimas,
Novos sorrisos.

Hoje fica a certeza que conseguimos
O que a princípio nem sabíamos
O que viemos buscar quando aqui chegamos.
Esperança no amanhã
Nunca nos faltou
Fazia-se presente
Do nascer ao pôr-do-sol,
Nos fazendo vivos,
Nos deixando fortes.
Horizontes foram conquistados,
Diploma debaixo do braço,
Sonhos realizados,
Renovados.
Um nó na garganta,
Lágrimas que brotam dos olhos,
Pois cruzamos a linha de chegada das 4 pilastras
E dizer adeus tornou-se algo
Inevitável.

Nos bancos da universidade,
Aprendemos a ser profissionais
E no da vida, aprendemos a ser gente
Para trilharmos as estradas da vida
De mil encantos
E tantos desencantos,
Amores
E desamores,
Dissabores.
E conquistar o lugar que está reservado
Pra nós.

Por mais que a gente mude o nosso cenário-vida
Que os holofotes não estejam focados em nós,
Que não sejamos mais o alvo dos clicks da Kello
Que não haja mais palco e nem platéia
Que a ribalta esteja em silêncio
Ainda assim estaremos brilhando incandecidamente
Seja no coração que carregamos ao peito,
Que agora está tão pequeno
Seja nas recordações que carregaremos conosco
Ao lembrarmos-nos da UFV,
Ao voltarmos ao seu campus,
Ao reler nossa biografia no livro empoeirado
Esquecido na estante
Ou em nossas fotografias
Que foram várias, que são válidas
Documentando uma época,
Uma juventude,
Um sorriso
Que não voltará mais,
Mas permanecem intactos
Em nossa memória.

Se não vivemos tudo estando aqui.
Vivemos o suficiente para nos transformar
Em quem somos hoje.
A única coisa que eu me arrisco a dizer
É que de tudo ficou a certeza
Que nada será como antes,
Nada.


Allex Borges
Viçosa, março de 2003