Preciso acertar os ponteiros
Do meu relógio-vida
Para não mais perder a hora,
Para não mais perder a vez.
Pois estou sempre atrasado
No caminho que conduz a você.
É sempre assim,
Quando penso que finalmente
Irei alcançá-la,
Você se distancia ainda mais de mim,
Esvai-se
Tal qual uma utopia,
Num eterno vir a ser.
E eu fico só na vontade,
Numa sensação de que passou a vez
Ou de quem dormiu no ponto
Ou fora dele.
Então você se foi
E eu
Perdi o trem da vida,
Perdi a direção,
Perdi a chance de seguir na tua companhia,
Deitar-me na tua cama
E ter você em meus braços
Nua em pêlo.
Sinto no peito o pesar de uma relação a dois
Agora interrompida.
Sonhada e idealizada em tantas noites,
Seja num porta-retrato em cima do piano
Como insígnia do nosso amor,
Seja num simples sorriso dado
Ao contemplar a lua e as estrelas.
Hoje li um poema fascinante
E procurei por você.
Queria eu compartilhá-lo contigo,
Não te achei,
Não te acho mais como antes.
Demorei acreditar na tua partida,
Foi tudo tão inesperado
E acabou por deixar tantas coisas não vividas
Para traz.
Ficou o desejo pela comida pronta que compraria para nós,
Por não saber cozinhar
O lamento por não ter te ouvido você tocar,
E tantas, outras tantas vontades.
Sei que és libra,
Ascendente em câncer,
Lua em peixes.
O que faz meu coração canceriano
Manter a esperança de encontrá-la
Em uma outra vibe.
Talvez a encontre,
Talvez não
Não temos garantia nenhuma
Mas quem tem?
E tudo fica assim
Quando penso em você
Tão perto e tão longe
Tão minha e tão dos outros.
Por mais quanto tempo
Ficaremos afastados?
Outros nove? Talvez quatro? Quantos?
Nada sei.
O que me resta
É esperar uma próxima estação
Sozinho...
Calei-me
Estou acertando os ponteiros
Do meu relógio.
Allex Borges
Juiz de Fora, abril de 2011
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