Nos teus rebentos de mulher
Soubeste cumprir a missão de esposa
Sendo esposa, conhecestes a maternidade
E vivendo a maternidade,
Compartilhaste da dádiva de ser mãe.
Sendo mãe doou-se de corpo e alma
Para a realização de nossos sonhos.
Aqui, hoje nos encontramos,
Sem rumo e sem norte,
Nosso mundo perdeu a cor,
A vida perdeu a graça,
O tom,
O nosso tablado ficou vazio.
Caí à chuva, nasce o sol, canto uma canção
É triste, mas é prazeroso ficar
A lembrar de você,
Do seu jeito brincalhão
E receptivo como nos tratávamos.
A vontade que temos
É de regressar no tempo
E trazer você de volta.
Choramos e sofremos acordados
Num pesadelo sem fim
Em uma noite sem luar.
Assim era Amelice,
Mesmo não dominando
Por inteiro as letras
Na vida foi mestra,
Soube somar, dividir e multiplicar
Seu amor por todos nós.
Sua alegria era ver a família reunida
Em volta da mesa
E a nossa era estar ao seu lado.
Seu coração acolheu a muitos,
Mas com passar do tempo,
Não suportou tamanha pressão.
Finando suas forças,
Preferiu sofrer sozinha,
Ao invés de sofrermos juntos
E com a mesma força com a qual viveu,
Partiu para ir ao encontro de Deus.
Passam-se as horas, os dias e as semanas
E cada vez mais fica tua presença
Registrada em nossa alma
Como símbolo de simplicidade, persistência,
Otimismo e luta.
Sua sina foi transforma-se em energia
Para quem se sentia fraco.
Que o calor dos braços de Deus,
Que agora te abraças,
Possa também nos aquecer e guiar-nos nas trilhas
Da união e da verdade.
Saudadessss
Allex Borges
Jitaúna, 12 de janeiro de 1999
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