sábado, 4 de junho de 2011

O beijo


Tinha gosto de trident de melancia
Seu último beijo
Saciou minha sede
Umedeceu meus lábios secos.

Meu coração parou por um instante
E minhas carnes trêmulas
Não mais me obedeciam,
Eu já era todo seu.

Num instante...
Pairou um silêncio que gritava
Pela vontade de ter você
Um pouco mais.
Mas você partiu
E roubou uma parte de mim.
Fiquei assim
Sem seus beijos,
Sem seu gosto,
Despedaçado...

Ao abrir os meus olhos
Ainda pude ver sua sombra
Dobrar a esquina
Vagarosamente.
E eu permaneci ali
Imóvel.
O nosso encontro,
Também teve gosto de despedida.

Rasga peito sedento de saudade,
Saliva boca aflita por teu beijo
Materializa sonhos
E traz você de volta para mim
E gozemos juntos 
Nas escadas escuras do meu prédio
Como tantas vezes o fizemos.
Excitada em meus braços
Lambuza o sofá branco da sala
Com teus vestígios
E pise de salto agulha
Nesse inflamado coração
E faz jorrar amor.

Queria sentir teu beijo pela última vez,
Minto! Por muitas vezes.
Doce ilusão
Que eu gosto de ter.
Ficaram as lembranças,
A chama acessa
O porta-retrato sobre o piano
Ficou a vontade de te amar
E tudo aquilo que me faz lembrar você
A lua, os girassóis, as borboletas...
Ficou minha boca nua
A espera do teu complemento.

Ganhe o mundo,
Divirta-se com outros “amores”
Afinal, o amor é livre.
Beije tantas outras bocas.
Com o tempo
Verás que tudo é vazio
E quando se convencer disso
Sentirás a minha presença cheia
E irá me procurar outra vez
E então retornarás para o lugar
De onde nunca deveria ter saído
Meus braços.

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011

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