sexta-feira, 10 de junho de 2011

Não temo a solidão
Nem o estado de estar só
Afinal, nunca se está só
Quando se tem sonhos
E eu tenho muitos.

Mas confesso,
Que sinto falta
Das vezes que meus braços
Estavam presos à sua cintura,
Quando o seu perfume
Confundia-se com o meu
Nos lençóis da cama,
Nos travesseiros.
Quando minha boca era preenchida 
Por seus lábios.

Hoje estamos separados,
É estranho te encontrar
E não mais poder estar ao teu lado,
Ainda sinto você como parte de mim,
Apesar de ter se passado tanto tempo.

É junho,
O frio chegou
As taças e o vinho estão a postos
E meu pensamento
Não hesitou em trazer a tua presença 
Para perto de mim.

Bebo o vinho e a saudade
Das tuas pernas enroscadas nas minhas
Mas a garganta continua seca
E as pernas vazias.
Embriago-me nas lembranças que o
Nosso amor nos permitiu
E acordo na ressaca da tua ausência.

O vinho é seco
E que seco se torne o meu coração
E mate a vontade que agora tenho
De trazer você para perto de mim.

Último gole,
Olhar vazio,
Minha taça está vazia.
Agora o que fazer?
As escolhas têm um preço,
Um peso
Tanto as minhas quanto as suas.
Fizemos as nossas.
Mas que quem disse
Que estávamos certos delas?
Não saberemos.

"Melhor" abrir outro vinho,
Provar outro sabor
E esquecer o seu gosto
Definitivamente.
Chega ser insuportável o convívio com a dúvida,
Com a incerteza
E com a presença de
Um talvez...

Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011


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