Somos pretensiosos por natureza,
Pretensiosos no amor,
Na vaidade,
Nos desejos
E nas conquistas.
Construímos uma ilusão
Que poderíamos ter o controle sobre tudo
Da vida,
Dos sonhos
De nossos sentimentos,
Do mundo.
E por conta dela
Fazemos planos,
Projeções de semanas, anos, décadas
Como se o amanhã dependesse
Exclusivamente de nós.
Completa tolice
De seres insignificantes
Se achando grande
Diante das incertezas
Do caminhar.
A verdade é que não se tem garantia de nada
Nem mesmo se o sol nascerá em todas as manhãs
Nem se a chuva cairá e encharcará o chão
Ou se a lua irá nos seduzir nas noites escuras.
Não se tem garantia
Nem sobre a vida
Nem sobre a morte
Ou sobre o amor.
A vida é uma caixinha de surpresas
E por isso procuramos nos apegar
Em alguma coisa, alguém ou um símbolo
Que alimente a nossa ilusão
Por não saber como fazer sem ela.
Tivemos a pretensão de aprisionar
O tempo em um relógio
E hoje não damos conta das suas 24 horas,
Ele é infinitivamente maior que isso.
Tudo o que se tem são especulações,
Probabilidades,
Crenças
E fé
Nada mais.
Fé que tudo vai acontecer como planejamos
E quando não acontece,
Quando a vida resolve nos pregar uma peça
Ficamos sem saber como fazer,
Perdidos...
Não sabemos lidar com as frustrações
Nem com o choro
Ou com o fracasso
Numa sociedade condenada ao sucesso.
Ando tão cansado de ser pretensioso
Queria poder me despir
De tantos casacos que me deram para usar
Esvaziar o coração e a alma
E poder me mostrar
Sem ansiedade
E sem temor,
E assim
Viver...
Allex Borges
Juiz de Fora, junho de 2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário