sexta-feira, 4 de junho de 2021

A TRAVESSIA- Ponte Pedro Vaz Sampaio

 “Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica!...” talvez, essa seja a sina de muitos(as) mães, pais, avós, irmãos, tios, primos, amores, amigos, enfim, de um monte de gente que ficou aqui a esperar (alguns uma vida inteira) por notícias, muitas delas vindas por cartas, tendo que aprender a conviver com a dor e a saudade de quem partiu e, alguns, para nunca mais voltar. E nessa jornada de ir e vir, a ponte sobre o Rio de Contas é o elo que se estabelece da Palmeirinha com o mundo, é o lugar da travessia.

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Recém batizada de “Ponte Pedro Vaz Sampaio”, de poucos mais de 10 metros, ela é um símbolo importante de um ir e vir de gente, daqueles que chegam e quer voltar, dos que vem e aqui quer ficar, dos que se achegam para olhar, dos que foram e não quer mais voltar e, de tantos outros, que vivem a esperar. É o portal para uma nova realidade, o encontro com o desconhecido, com o acaso.
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Por diferentes motivos(sonhos, projetos de vida, prosperidade, sobrevivência), muitos foram os homens, mulheres, crianças que fizeram essa travessia. E, ao partir, descobriram que ninguém parte só, sem deixar um pouco de si e de levar, também, um pouco do outro, do seu lugar de origem, de suas raízes. E, é esse pouco, que é capaz de estabelecer um vínculo de pertencimento entre quem partiu e quem ficou para trás. Não importa a distância, os anos que já se passaram, aliás, o tempo é um aliado importante, ele não apaga, mas ajuda a fortalecer as lembranças, mas nada será suficientemente capaz de apagar quem somos de fato, a nossa essência.
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Atravessar a ponte da Palmeirinha é um desafio, se você não se arriscar, jamais saberá o que lhe espera do outro lado. Mas, se partir é uma possibilidade, ficar também é, e quem fica se transforma em porto, farol, em ninho. Nascer as margens de um grande rio, ser batizado pelo nome de um outro, Palmeirinha, pertencer a terras da Boa Esperança é uma lição que, desde cedo, a Palmeirinha nos ensina de que é preciso seguir o curso, mesmo havendo pedras, desvios, assoreamentos, barragens , ninguém segura a água quando ela quer passar. E os herdeiros(as) da Palmeirinha são águas em força, volume e vitalidade, muito embora tenham pés que não carregam mais a poeira dos seus caminhos.
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A velha ponte ainda está de pé fazendo a travessia, o Rio de Contas já não é mais o mesmo de antes, as andorinhas, que antes faziam morada debaixo dela, hoje é raridade, mas se tem uma coisa que permanece a mesma, é a nossa simplicidade de viver a vida.
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Ser de Palmeirinha é um estado de graça, do aconchego, de não estar perdido no mundo, aqui todos(as) se acham, por sobrenomes, gestos, olhares e carinho. É o nosso berço esplêndido! Esteja onde estiver, você é um dos nossos e nossas!!

Juiz de Fora, abril de 2020
Alexandro Borges Batista

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