sexta-feira, 4 de junho de 2021

A partida

 Hoje a Palmeirinha está triste, perdeu um dos sorrisos mais preciosos que ela possuía. Batizada como Maria Helena, mas foi como Lenú ou simplesmente tia Véa, como Mariana a apelidou e daí se tornou a tia véa de todos nós, que o nosso coração amou...

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Lenú era muitas mulheres em uma só, à frente do seu tempo, uma guerreira, como são as filhas e filhos do nosso chão. Ouvir os causos que Lenú contava, que eram vários, era um momento sublime, ela se agigantava, encenava, se tornava o centro das atenções, como ela merecia, e arrancava de nós gargalhas e horas de felicidade, fazendo o tempo correr recheado de ternura.
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Sua casa de portas e janelas abertas acolhia à todos. Nos recebia sempre pela parte mais nobre da casa, a sua cozinha, e ali entre conversas, café e comida, consolidava amizades e trocava vivências. Foi por suas mãos que ela matou a nossa fome e seu bom humor alimentou nosso espírito.
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Seu abraço protegia e confortava, seu olhar doce, seu jeito simples de ver a vida, de estar na vida nos encantava. Está difícil de acreditar que ela nos deixou para alegrar outros planos. Sabemos que faz parte, mas está doído. Se fecharmos os olhos e recorrer as lembranças, ainda é possível ouvi-la cantar, pelas salas do
prédio da Almerinda Galvão, “quem parte leva saudade de alguém que vive chorando de dor” segurando sua vassoura como quem segurava um pareciro de dança...
É tia véa, hoje choramos muito por sua partida, mas prometemos que vamos lembrar sempre da sua alegria e quando nos perguntar quem foi você, pode ter certeza, vamos falar: Ela foi alegria!!!
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Miron, Lula, Veny, Tote e Duda, Lenú deixa um legado de coragem, superação, amor e alegria e esse legado está dentro de cada um de vocês. Ela partiu fisicamente, mas está viva em vocês, seja na popularidade de Lula, na doçura de Veny, na determinação de Tote, na força de Duda e no alicerce de Miron.
Foi uma imenso prazer e privilégio ter compartilhado dessa vida com ela e por ela ter nos dado vocês, seus filhos, e de vocês os filhos de seus filhos.
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Mulher generosa, mãe amada, avó afetuosa, vai fazer falta a tua benção, o cuscuz da sexta-feira da paixão, mesmo sendo uma torre de Babel, as tuas orações na Legião de Maria. Dói, mas a sua lembrança de força é maior que a dor. O céu está em festa, já deve estar alegrando todos por lá, como uma menina brincalhona que era. Aqui, já estamos com saudades.
Obrigado por tudo!


Juiz de Fora, novembro de 2020.
Alexandro Borges Batitsa




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