sexta-feira, 4 de junho de 2021

Dilma, uma mente inquieta

Dilma Pereira de Jesus é gente da melhor estirpe da família Pereira, como na Palmeirinha ninguém conhece ninguém pelo nome, mas sim por filiação, por isso vamos encurtar o caminho para a famigerada pergunta: É filha de quem? Adiantando-nos a isso, acrescentamos que ela é filha de Enedina e Aureliano, irmã de Vera, Eric, tia de Raiana, esposa de Mário, mãe zelosa de Dianei, Luciano, Mário, Tatiane, Aline, Adriano e de tantos outros que a Palmeirinha lhe somou, seja como professora da Escola Almerinda Galvão, seja como professora de catecismo e regente do coral mirim da Igreja São José.

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Neste sentido, ela é filha, esposa, mãe, avó, professora, amiga, madrinha, comadre, promoter cultural, Dilma é fé! Uma mulher moderna, que desempenhou distintos papéis, com êxito, tornando-a um ser singular na história de cada um que aqui viveu e compartilhou desses momentos juntos. Foi uma mão importante a balançar o berço de Palmeirinha para que seus rebentos recebesse as maiores e melhores referenciais de vida e, temos a certeza, que ela atingiu o seu objetivo, pois eles(as) estão todos à sua volta como borboletas coloridas num oásis de amor que é o seu coração.
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Existe um proverbio africano que diz: “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo”, certamente Dilma o conhecia muito bem, pois ela queria ir muito longe e foi. Dinâmica, perfeccionista, dona de uma mente inquieta, criativa, logo tratou de fazer suas alianças quando aqui chegou e, com Elenir Lisboa, formou uma dupla que deu vida aos seus planos, sonhos, dotes artísticos, era uma espécie de “Dom Quixote e Sancho Pança”, juntas saíram para conquistar o mundo. E inúmeras foram as suas glórias alcançadas: quadrilhas, desfiles juninos, desfiles típicos, decoração de igreja, apresentações das mais variadas, uma amante da cultura popular e, com sua mestria, sabia conciliar o profano e o sagrado.
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Sem dúvida, Palmeirinha deve muito a Dilma por possibilitar momentos eternizados em lembranças e sorrisos de uma mocidade, pelos ganhos incomensuráveis de uma vida toda, servindo de régua e compasso no rabiscar dos caminhos. Sem ela a vida teria sido sem graça, sem dança, sem cor, brilho e aplausos.
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O umbigo de Dilma não foi enterrado aqui, sabemos, mas ela amou e se identificou tanto com Palmeirinha que acabou por lhe dá os melhores anos de sua vida, por isso, ao invés de enterrar, ela optou por semear amor. Mesmo reservada, conseguiu ser vista, ouvida e respeitada por todos(as). Quando ela e sua família partiram daqui, alçando novos voos, buscando outras terras para arar, sofremos muito, era duro passar em frente a sua casa e vê-la fechada, a missa estava incompleta, falta sua voz, o seu sorriso. Assim, por um longo tempo, a falta esmagou o coração, mas a saudade veio ao nosso auxilio e ficamos a esperar por suas boas novas e elas vieram.
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Sabemos que toda mulher destemida e dona de si, traz uma carga social muito grande sobre seus ombros, tem um preço e, certamente, Dilma não deve ter sido poupada disso. Sem dúvida, acertou em muitas de suas escolhas, mas talvez, tenha errado também em tantas outras, mas a vida é assim, um grande aprendizado, um ganhar e perder, um achado, uma descoberta, um soprar do vento que levanta as folhas secas, bagunça o nosso cabelo, mas no fim, sabemos a melhor forma de ajeitar tudo no lugar outra vez e prosseguir confiante no dia seguinte. A vida não é julgamento, é a possibilidade do arriscar.
Obrigado, Dilma, por ter se arriscado por nós!


Juiz de Fora, maio de 2020
Alexandro Borges Batista



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