sexta-feira, 4 de junho de 2021

Palmeirinha, a menina dos meus olhos

Aos meus olhos te vejo menina
Tão meiga e pequenina
Que guardas em tuas esquinas,
Tantas histórias em distintas linhas.
Já faz um tempo que não a vejo
Quão triste é essa sina
Mas, mesmo sem saber que horas volto, Palmeirinha,
Ainda te sinto tão minha.
*
Ao sentir sintomas de saudade,
Meus pensamentos voam ao teu encontro,
Como uma revoada de andorinhas no céu azul,
Banham-se nas águas claras do teu Rio de Contas,
E, por onde passas,
Vai tomando a bênção do caminho.
*
Sentem o aroma do café da tarde,
Em fogo a lenha,
E saem como fumaça desembestada
A beijar a mocidade,
Que você guardou
No teu ventre de ruas estreitas de chão batido e poças d’água,
Entre o caminho do Baixão e a casa amarela de Maria,
Embaixo da sombra do jatobá...
*
Ah Palmeirinha, se tu soubesses
Quantas saudades eu sinto de te!
E dos seus, dos meus, dos nossos
Que por aí deixei...
Corta como navalha afiada.
*
Não há nada no mundo
Que mais desejo, no momento,
Do que te olhar novamente,
Pisar descalço no teu chão,
Cruzar o cavalo morto
E aportar na Serra do Coco,
Ao menos, pela última vez.
*
Por mais que os caminhos tenham nos separado,
Jamais me separarei de ti,
Estás comigo, como tatuagem,
Escrita em minh'alma.
Não imaginas quantas noites mal dormidas
Eu cruzei
Ansioso para descansar a cabeça em teu colo,
Me sentir protegido,
Acolhido
E amado...
*
Aprendi a amar,
Te amando
Um amor despretensioso,
Doce,
Para além dos teus pés de cacau.
Um sentimento sereno e tranquilo
Abençoado por São José, nosso padroeiro,
E aclamado por Nossa Senhora da Conceição
Rainha da Boa Esperança.
Um amor assim
Que me faz
Eu pertencer a você
E você ser parte de mim...
*
Alexandro Borges/Juiz de Fora, maio de 2020 (Dias cinzas e incertos diante de uma pandemia da covid-19)


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