O
tempo passa, a vida se renova e o mundo traz consigo seus mistérios e desígnios,
fazendo brotar em nós uma curiosidade insana de desvendá-los um por um. Recusamos-nos
a não saber, a não dominar as coisas e os fenômenos da natureza. Fizemos da
ciência a nossa aliada e com o intuito de dar explicações para coisas que até
então eram inexplicáveis, passamos a investigar tudo a nossa volta, afinal somos
herdeiros de São Tomé, temos que ver para crer, mas isso não foi o bastante.
É enveredando entre os caminhos do misticismo, da crença e da superstição
que a Beija-flor de Nilópolis traz para seu carnaval a figura emblemática e
mística do número 7 (SETE). Mas por que o sete? Porque percorrer as
histórias que rondam o sete é adentrar o imaginário
cultural de um povo, num universo de cores, fantasias, embates e fé. Se na
história da humanidade existe um número que desperte tamanha crendice,
curiosidade e atenção em torno dele, sem dúvida nenhuma é o sete.
Pitágoras o concebeu como um número sagrado, perfeito e poderoso e o apóstolo
Pedro como um número infinito, mas nós lhe demos outras roupagens. Quando
alguém quer tirar vantagem e diz que possui sete mais coisas do que o
outro, indagamos: sete é conta de mentiroso...
É se deixando seduzir pelos encantos do sete que a nação nilopolitana
vem contar e encantar a passarela do samba no seu carnaval, festa
tradicionalmente realizada sete domingos antes do domingo de
Páscoa.
A figura do sete se funde em múltiplos olhares e cenários universais,
presente e passado, imaginário e real, divino e mortal. Assim, é compreensível
conceber os sete dias que o Senhor levou para criar o mundo,
onde o jardim do Éden se impôs em exuberância e graça, marco inicial dos sete dias da semana. E daí em diante o povo
começou a inventar, a inovar, a imaginar e produzir ideias que de alguma forma expressasse
seu domínio diante dos desígnios da vida.
Elucidar as histórias do sete é o mesmo que perdoar setenta
vezes sete vezes. Porém, algumas merecem aqui nosso destaque. Nos
ensinamentos de Abrahão, o Patriarca, existem sete portais para a alma,
os olhos são as janelas da alma, mas há sete portais no total: 2 olhos, 2
ouvidos, 2 fossas nasais e a boca. Sete são as Leis Universais:
Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e Amor.
No sonho do faraó, sete foram às vacas
gordas, sete vacas magras, sete
espigas cheias, sete espigas vazias que simbolizavam sete anos de fartura e sete anos de seca naquela terra
sagrada.
Ora variando em polaridades positivas ora polaridades negativas, o sete
continuou a ser reinventado. E assim sete são os grandes mensageiros:
Krisna, Buda, Lao-Tsé, Confúcio, Zoroastro, Moisés e Jesus. E de sete
mensageiros também se fez sete anjos, pois sete
são os arcanjos: Miguel, Jofiel, Samuel, Gabriel, Rafael, Uriel e Ezequiel.
Dos reinos celestiais ao controle das condutas mortais, estabeleceram-se
os setes pecados capitais [luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade, preguiça]
e também as sete virtudes [Esperança,
Fortaleza, Prudência, Amor, Justiça, Temperança, Fé], sete são os sacramentos e sete são os braços do memora, o candelabro
judeu.
Destemidos homens cruzaram os sete mares a busca de novas descobertas e conquistas, vencendo seus
medos e se abrindo para um novo mundo, novas culturas, um novo modo de ser e
estar no mundo. E aos poucos, dia após dia, o homem dominou o mundo e tratou de
embelezá-lo construindo suas Sete maravilhas do mundo antigo e
moderno. E, o nosso Cristo Redentor de braços abertos para a Guanabara, é
uma delas. Sete foram os sábios da Grécia [Tales de Mileto, Periandro de
Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de
Atenas e Quílon de Esparta] e sete são os chakras metafísicos.
Foi num Sete de setembro, com
espada em punho, que D. Pedro I entoou o grito de independência ou morte proclamando
a Independência do Brasil. E nos tornaríamos uma nação liberta do domínio
português.
Entre dias com sol, chuvas e
trovões as sete cores do
arco-íris colorem os dias cinza do
caminho e anuncia a esperança de dias melhores e alimenta o nosso imaginário na
expectativa de encontrar os duendes guardiãs do pote de ouro ou quem sabe os sete
anões da Branca de Neve.
No manifesto das artes, o cinema é a nossa Sétima Arte e a pipoca e o guaraná não pode
faltar nessa junção. Temidos por uns, venerados e amados por outros, os gatos
possuem sete vidas. Heptágono é polígono de sete lados. E jogamos
dominó com sete pedras na mão. Sete são as notas musicais com sete escalas, sete pausas e sete
valores que forma a melodia do samba e põe para remexer o quadril da mulata transbordando
de sorriso e felicidade o nosso coração anos após anos e faz crescer no coração
de cada nilopolitano um amor forte e fiel pelo seu pavilhão guardado a sete
chaves!!!
Alexandro Borges
Alexandro Borges
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