quarta-feira, 25 de março de 2015

Enredo: "Beija-flor a sete chaves"


O tempo passa, a vida se renova e o mundo traz consigo seus mistérios e desígnios, fazendo brotar em nós uma curiosidade insana de desvendá-los um por um. Recusamos-nos a não saber, a não dominar as coisas e os fenômenos da natureza. Fizemos da ciência a nossa aliada e com o intuito de dar explicações para coisas que até então eram inexplicáveis, passamos a investigar tudo a nossa volta, afinal somos
herdeiros de São Tomé, temos que ver para crer, mas isso não foi o bastante.
Mesmo assim não demos por vencidos, passamos a adotar várias estratégias compensatórias buscando uma explicação “lógica” para aquilo que foge ao nosso domínio e conhecimento. Abrimos outras portas para além do cientifico. E em terra que a ciência não pisa, o misticismo reina e transborda em imaginação, fé e sabedoria popular.
É enveredando entre os caminhos do misticismo, da crença e da superstição que a Beija-flor de Nilópolis traz para seu carnaval a figura emblemática e mística do número 7 (SETE). Mas por que o sete? Porque percorrer as histórias que rondam o sete é adentrar o imaginário cultural de um povo, num universo de cores, fantasias, embates e fé. Se na história da humanidade existe um número que desperte tamanha crendice, curiosidade e atenção em torno dele, sem dúvida nenhuma é o sete. Pitágoras o concebeu como um número sagrado, perfeito e poderoso e o apóstolo Pedro como um número infinito, mas nós lhe demos outras roupagens. Quando alguém quer tirar vantagem e diz que possui sete mais coisas do que o outro, indagamos: sete é conta de mentiroso...
É se deixando seduzir pelos encantos do sete que a nação nilopolitana vem contar e encantar a passarela do samba no seu carnaval, festa tradicionalmente realizada sete domingos antes do domingo de Páscoa.
A figura do sete se funde em múltiplos olhares e cenários universais, presente e passado, imaginário e real, divino e mortal. Assim, é compreensível conceber os sete dias que o Senhor levou para criar o mundo, onde o jardim do Éden se impôs em exuberância e graça, marco inicial dos sete dias da semana. E daí em diante o povo começou a inventar, a inovar, a imaginar e produzir ideias que de alguma forma expressasse seu domínio diante dos desígnios da vida.
Elucidar as histórias do sete é o mesmo que perdoar setenta vezes sete vezes. Porém, algumas merecem aqui nosso destaque. Nos ensinamentos de Abrahão, o Patriarca, existem sete portais para a alma, os olhos são as janelas da alma, mas há sete portais no total: 2 olhos, 2 ouvidos, 2 fossas nasais e a boca. Sete são as Leis Universais: Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e Amor. No sonho do faraó, sete foram às vacas gordas, sete vacas magras, sete espigas cheias, sete espigas vazias que simbolizavam sete anos de fartura e sete anos de seca naquela terra sagrada.
Ora variando em polaridades positivas ora polaridades negativas, o sete continuou a ser reinventado. E assim sete são os grandes mensageiros: Krisna, Buda, Lao-Tsé, Confúcio, Zoroastro, Moisés e Jesus. E de sete mensageiros também se fez sete anjos, pois sete são os arcanjos: Miguel, Jofiel, Samuel, Gabriel, Rafael, Uriel e Ezequiel.
Dos reinos celestiais ao controle das condutas mortais, estabeleceram-se os setes pecados capitais [luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade, preguiça] e também as sete virtudes [Esperança, Fortaleza, Prudência, Amor, Justiça, Temperança, Fé], sete são os sacramentos e sete são os braços do memora, o candelabro judeu.
Destemidos homens cruzaram os sete mares a busca de novas descobertas e conquistas, vencendo seus medos e se abrindo para um novo mundo, novas culturas, um novo modo de ser e estar no mundo. E aos poucos, dia após dia, o homem dominou o mundo e tratou de embelezá-lo construindo suas Sete maravilhas do mundo antigo e moderno. E, o nosso Cristo Redentor de braços abertos para a Guanabara, é uma delas. Sete foram os sábios da Grécia [Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta] e sete são os chakras metafísicos.
Foi num Sete de setembro, com espada em punho, que D. Pedro I entoou o grito de independência ou morte proclamando a Independência do Brasil. E nos tornaríamos uma nação liberta do domínio português.
 Entre dias com sol, chuvas e trovões as sete cores do arco-íris colorem os dias cinza do caminho e anuncia a esperança de dias melhores e alimenta o nosso imaginário na expectativa de encontrar os duendes guardiãs do pote de ouro ou quem sabe os sete anões da Branca de Neve.

No manifesto das artes, o cinema é a nossa Sétima Arte e a pipoca e o guaraná não pode faltar nessa junção. Temidos por uns, venerados e amados por outros, os gatos possuem sete vidas. Heptágono é polígono de sete lados. E jogamos dominó com sete pedras na mão. Sete são as notas musicais com sete escalas, sete pausas e sete valores que forma a melodia do samba e põe para remexer o quadril da mulata transbordando de sorriso e felicidade o nosso coração anos após anos e faz crescer no coração de cada nilopolitano um amor forte e fiel pelo seu pavilhão guardado a sete chaves!!!
                                                                                                                    Alexandro Borges

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