Alexandro Borges
"O
Amor foi o jeito absurdo que Deus inventou para nos deixar loucos".
(Warley, 2010)[1]
Vasculhando os segredos e conquistas de
mentes brilhantes que compõe a história da humanidade nas artes, na ciência, na
literatura, enfeitiçadas pelo cantar ardiloso da loucura que a Acadêmicos do
Salgueiro faz do seu cantar uma exaltação a aqueles que enxergaram e enxergam o
mundo de uma outra forma, com um outro olhar encantando-nos com seu talento e
brilhantismo evidenciando uma outra forma de estar e ser no mundo.
A loucura é a uma das formas mais
autentica de re-inventar outra forma de viver a vida, de experimentar sonhos e
desejos, outra forma de criar. A história está rechaçado a grandes loucos(as)
que portadores ou não de síndromes, transtornos, manias, depressão, foram reportados
a uma estética da vida cercado por isolamento, tristezas e suicídios
social/moral e corporal.
Recorrendo a história, especificamente
na época da Renascença, a figura simbólica do navio Nau dos Loucos navegando ao
longo dos calmos rios da Renânina e dos canais flamengos surge de maneira
evidente no cenário europeu. Os navios e a água são elementos imprescindíveis
na história de peregrinação vividas na, maioria das vezes, forçosamente pelos
loucos.
“Fechado no navio, de onde não se escapa,
o louco é entregue ao rio de mil braços, ao mar de mil caminhos, a essa grande incerteza
exterior a tudo. É um prisioneiro no meio da mais livre, da mais aberta das estradas:
solidamente a correntado à infinita encruzilhada. Passageiro pór excelência, isto
é, o prisioneiro da passagem. E a terra à qual aportará não é conhecida, assim como
não se sabe, quando desembarca, de que terra vem. Sua única verdade e sua única
pátria são essa extensão estéril entre duas terras que não lhe podem pertencer.
(FOUCAULT, 1997: 16-17).
Na antiguidade, principalmente na Idade
Média a loucura era vista e explicada a partir da mitologia grega, da vontade
dos deuses. “As vontades divinas interferiam nas atitudes humanas na mesma
proporção em que o homem assumia a responsabilidade pelo descontrole emocional.
Segundo Pessotti (1995), os deuses agiam “(...) decidindo soberana o curso das
coisas e dos homens (...) forçando as ‘iniciativas’ humanas (...).Roubando dos
homens a razão. A loucura seria, então, um recurso da divindade para que seus
projetos ou caprichos não sejam contrastados pela vontade dos homens” (p. 14)”
(FRANÇOIA, 2005:46).
Durante o final da Idade Média a figura
da loucura e do louco começa a mudar, tornam-se personagens maiores em sua ambigüidade
e ameaça o mundo vertiginoso e medíocre dos homens. Torna-se de forma geral o
triunfar da crítica. “Nas farsas e nas sotias, a personagem do Louco, do Simplório,
ou do Bobo assume cada vez maior importância. Ele não é mais, marginalmente, a silhueta
ridícula e familiar toma lugar no centro do teatro, como o detentor da verdade
desempenhando aqui o papel complementar e inverso ao que assume a loucura nos contos
e sátiras” (FOUCAULT,1997: 18-19). Com a luta Antimanicomial os sujeitos que
sofriam de tormentos psíquicos e que eram excluídas totalmente da sociedade,
obrigadas a viver em regimes de clausura em manicômios e tratadas por terapia
quase que unicamente medicamentosa, passam a ser integrado na sociedade.
Destacam-se nas ARTES “loucos” geniais tais como: Van Gogh, considerado um dos principais representantes da pintura
mundial pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas.
Camille Claudel e suas famosas
esculturas. Profeta Gentileza e suas
pinturas pelas ruas do RJ e tantos outros.
Na MÚSICA
encontramos loucos geniais como Mozart
e sua habilidade indescritível, além dos músicos Cole Porter e Charles Mingus,
dentre outros.
Na LITARATURA
como Sylvia Plath, Virgínia Woolf e Ernest Hemingway.
Na CIÊNCIA
por meio de Albert Einstein, Galileu Galilei e outros.
Enfim, os loucos(as) estão presentes
socialmente para nos mostrar que é possível uma outra forma de ver e encarar a
vida. E os Acadêmicos do Salgueiro vem loucamente cantar sua paixão pelo samba
e por essa terra sagrada de meu Deus.
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