Alexandro Borges
"...A Cultura Popular é um magnífico
tesouro que enobrece a alma do nosso país, encantando e dando lenitivo aos
nossos corações. Ela abrange um elenco de manifestações que fazem parte do
cotidiano do povo; um relicário de valores expressivos que vão se perpetuando
através das gerações, e alimentando a memória viva da nação. Aqui, daremos
enfoque especial a uma das principais expressões culturais da nossa população,
a Literatura Popular..."
Parte
da obra constante do Livro “O Reino Encantado do Cordel – A Cultura Popular na
Educação”, de Rubenio Mar.
A Beija-Flor de
Nilópolis, tradicionalmente empenhada na valorização e reprodução da cultura
brasileira, encontra inspiração no sertão brasileiro para o desenvolvimento de
seu enredo. Numa saudação a poesia e a identidade de um povo sertanejo a Literatura
de cordel consagra-se como um
verdadeiro tesouro da humanidade e evidencia um outro Brasil, ainda desconhecido
de muitos brasileiros, principalmente não oriundos da re
ntos propulsores de valor inestimável
na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais,
contribuindo para a perpetuação do folclore nacional. É na poesia popular que a
cultura nordestina se faz viva, socializando homens e mul
heres e criando e
reproduzido seu ethos, seu modo particular de ser e estar no mundo.
Contar a história do nordeste é falar
de superação, força e resistência, elementos que também são pilares
estruturantes da Beija-Flor de Nilópolis.
A Literatura de Cordel é um tipo de poesia popular,
que tem suais raízes na oralidade. A
literatura oral é considerada uma importante fonte de memória popular e revela
o imaginário do tempo e espaço onde foi criada. Segundo antropólogos e
historiadores, sua história começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média
e do Renascimento.
O seu nome estaria ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal,
onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles
também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente
(1465-1536). Na segunda metade do século XIX
começaram as impressões de folhetos brasileiros, imprimindo as características
próprias daqui.
As obras intituladas Literatura de
Cordel são aquelas produzidas pelo povo, que tem como principal objetivo, a
difusão popular da arte folclórica. Nessa manifestação inclui fatos do
cotidiano, episódios históricos, costumes, temas religiosos, as crenças ou
personagens (reais e imaginárias). Algumas das obras mais difundidas são as que
contam as façanhas do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) e o
suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954), as história do Padre Cícero,
Pedro Malasartes e Surubim. Um dos temas mais lidos no Brasil é a história de
Carlos Magno e dos Doze Pares de França, um herói da Idade Média, famoso por
sua coragem.
No Brasil, a literatura de cordel é
produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba,
do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras
pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados ,
como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em
feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos
cordelistas.
Este tipo de literatura apresenta
vários aspectos interessantes em sua concepção. Seus folhetos são ilustrados através
de uma técnica chamada xilogravura, mas também são utilizadas desenhos e
clichês zincografados. A xilografia é
a arte de gravar em madeira, teve sua origem provavelmente na China, sendo
conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirmou durante a Idade
Média, através de iluminuras e confecções de baralhos. Atém então, a
xilogravura era apenas uma técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que
ela começa a ser valorizada como manifestação artística.
Essas xilogravuras representam um importante
espólio do imaginário popular. De custo relativamente baixo, estes pequenos
livros são vendidos pelos próprios autores em feiras livres.
Um dos poetas da literatura de cordel mais
famoso até hoje é Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele
tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José
Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da
Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo
Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira. Vários
escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre
eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e
Guimarães Rosa.
“Os poetas populares costumam
classificar a literatura de cordel em cinco temas mais freqüentes: romance,
valentia (história de um valentão, que sempre acaba mal), gracejo (uma história
engraçada), desafio e encantamento (histórias de reinos encantados, com fadas e
bruxas). Ariano Suassuna, escritor, poeta e estudioso do assunto, classifica a
literatura popular em versos (o cordel) como: o heróico, o maravilhoso, o
religioso ou moral, o satírico e o histórico”(Christiane Araújo Angelotti).
Enfim, a tipologia de assuntos que versam
a Literatura de cordel, concede-lhe o estatuto de obras de teor didático
e educativo.
Algumas obras interessantes para se
pensar alegorias e adereços:
- As façanhas de Lampião;
- A mulher que botou o diabo na
garrafa;
- Antonio Conselheiro;
- Entre outras;
Fiquei imaginando a cultura nordestina
sendo retratada como merece, com muita prestígio e poder. Também pensei em
retratar a feira dos paraíbas de São Cristóvão.
Bibliografia:
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