quarta-feira, 25 de março de 2015

Enredo: Cantando cordel numa exaltação a cultura popular no coração de um Brasil sertanejo

Alexandro Borges

"...A Cultura Popular é um magnífico tesouro que enobrece a alma do nosso país, encantando e dando lenitivo aos nossos corações. Ela abrange um elenco de manifestações que fazem parte do cotidiano do povo; um relicário de valores expressivos que vão se perpetuando através das gerações, e alimentando a memória viva da nação. Aqui, daremos enfoque especial a uma das principais expressões culturais da nossa população, a Literatura Popular..."
Parte da obra constante do Livro “O Reino Encantado do Cordel – A Cultura Popular na Educação”, de Rubenio Mar.

A Beija-Flor de Nilópolis, tradicionalmente empenhada na valorização e reprodução da cultura brasileira, encontra inspiração no sertão brasileiro para o desenvolvimento de seu enredo. Numa saudação a poesia e a identidade de um povo sertanejo a Literatura de cordel consagra-se como um verdadeiro tesouro da humanidade e evidencia um outro Brasil, ainda desconhecido de muitos brasileiros, principalmente não oriundos da re
gião do Nordeste. Sem dúvida, a literatura de cordel é um dos po

ntos propulsores de valor inestimável na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore nacional. É na poesia popular que a cultura nordestina se faz viva, socializando homens e mul
heres e criando e reproduzido seu ethos, seu modo particular de ser e estar no mundo.
Contar a história do nordeste é falar de superação, força e resistência, elementos que também são pilares estruturantes da Beija-Flor de Nilópolis.
A Literatura de Cordel é um tipo de poesia popular, que tem suais raízes na oralidade. A literatura oral é considerada uma importante fonte de memória popular e revela o imaginário do tempo e espaço onde foi criada. Segundo antropólogos e historiadores, sua história começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O seu nome estaria ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536). Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, imprimindo as características próprias daqui.
As obras intituladas Literatura de Cordel são aquelas produzidas pelo povo, que tem como principal objetivo, a difusão popular da arte folclórica. Nessa manifestação inclui fatos do cotidiano, episódios históricos, costumes, temas religiosos, as crenças ou personagens (reais e imaginárias). Algumas das obras mais difundidas são as que contam as façanhas do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954), as história do Padre Cícero, Pedro Malasartes e Surubim. Um dos temas mais lidos no Brasil é a história de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, um herói da Idade Média, famoso por sua coragem.
No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
Este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes em sua concepção. Seus folhetos são ilustrados através de uma técnica chamada xilogravura, mas também são utilizadas desenhos e clichês zincografados. A xilografia é a arte de gravar em madeira, teve sua origem provavelmente na China, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirmou durante a Idade Média, através de iluminuras e confecções de baralhos. Atém então, a xilogravura era apenas uma técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística.
 Essas xilogravuras representam um importante espólio do imaginário popular. De custo relativamente baixo, estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores em feiras livres.
Um dos poetas da literatura de cordel mais famoso até hoje é Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira. Vários escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.
“Os poetas populares costumam classificar a literatura de cordel em cinco temas mais freqüentes: romance, valentia (história de um valentão, que sempre acaba mal), gracejo (uma história engraçada), desafio e encantamento (histórias de reinos encantados, com fadas e bruxas). Ariano Suassuna, escritor, poeta e estudioso do assunto, classifica a literatura popular em versos (o cordel) como: o heróico, o maravilhoso, o religioso ou moral, o satírico e o histórico”(Christiane Araújo Angelotti).
Enfim, a tipologia de assuntos que versam a Literatura de cordel, concede-lhe o estatuto de obras de teor didático e educativo.
Algumas obras interessantes para se pensar alegorias e adereços:
- As façanhas de Lampião;
- A mulher que botou o diabo na garrafa;
- Antonio Conselheiro;
- Entre outras;
Fiquei imaginando a cultura nordestina sendo retratada como merece, com muita prestígio e poder. Também pensei em retratar a feira dos paraíbas de São Cristóvão.

Bibliografia:


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