Um corpo caído ao chão
De uma forma inesperada,
Rápida e silenciosa.
Movimentos involuntários
Que ora se chocava a um patamar sólido,
Ora se recolhia paralisado,
Imóvel.
Por um instante passava a impressão
Que estava morto,
No outro era possível perceber
Um pulsar agonizante dentro do peito.
Havia ali um sofrimento calado
Que clamava para ser ouvido,
Um sofrer visível e inconsciente
Diante de uma vontade de mudança.
Estirado no chão
O corpo padecia com o impacto
Dos movimentos,
Mas o espírito parecia elevar-se
Num êxtase de pureza e libertação.
Sangue e suor se uniam numa mistura amarga.
As lagrimas escorriam dos olhos paralisados
E o rosto já mostrava sinais de cansaço e dor.
O olhar fixo parecia perdido
No emaranhar de suas imagens
E os lábios, sem cor, demonstravam o esboço
De um sorriso amarelado
Do chão o corpo foi removido
Pelos braços de outros conhecidos
Que passavam por perto e o reconheceram.
Levaram-no não sei para onde,
Não sei qual foi o fim daquele corpo
Ainda tão jovem, tão puro.
Às vezes, me pego a pensar por onde andarás
Aquele corpo juvenil,
Se ficou marcas, cicatrizes daquele dia,
Se renasceu depois de cair ao solo.
Fiquei tocado com aquele olhar
Que parecia saber tantas coisas sobre os outros
E tão pouco de si.
Não sei para onde o levaram,
Sei que o levaram,
Mas eu jamais o esqueci.
Allex Borges
Viçosa, fevereiro de 2001
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