Uma lua insana lá fora
E eu sem sono
Fico a rascunhar
A tua imagem em cada parte de mim.
Passo horas imaginando
Os traços que o teu rosto carrega,
A cor dos seus cabelos,
Seus olhos,
Os contornos dos teus lábios,
O tom do teu sorriso
Da tua voz.
Virou rotina
Percorrer as ruas, desolado,
Observando atentamente os transeuntes
Numa tentativa de materializar a tua figura,
O teu existir,
Para além do esconderijo dos meus pensamentos.
O tempo passa
E chego a perder a noção das horas,
De mim mesmo
Ansioso para te ter por perto,
Para te fazer por perto.
Não sei onde mora,
O que faz para sobreviver
E com quem compartilha seus dias
No momento
O que acaba gerando um ar
De incerteza e de apreensão
Que vou ter que suportar
Se eu quiser mesmo
Esperar por você...
Não sei mais viver o presente,
Sem projetar um futuro
De casa, comida e escovas
De dente juntas.
Sem deitar na cama
E não desejar a tua presença
Ao meu lado.
Caí uma estrela,
Fecho os olhos
E faço um pedido...
Paciência,
Agora é o momento
Da espera.
Planta-se a semente
Para poder usufruir de uma colheita futura.
É preciso ter fé
E confiar que é predestinado
Para mim.
Ando atento aos sinais
E sei que estás a caminho
E isso já é obstante para que eu tenha
Confiança e serenidade que um dia haveremos
De nos encontrar
E assim viver uma felicidade
Que supere todas as expectativas
De um encontro a dois,
De um sexo condenado a ser de muitos
E construir um amor que sobreviva
A toda intempérie humana
De ódio e rejeição que possa nos destruir
Por amar e viver de um modo diferente.
Aconteça o que acontecer
Eu estou aqui a te esperar...
Allex Borges
Juiz de Fora, setembro de 2011
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