domingo, 18 de setembro de 2011

Maria-Rosa


Faltam poucos dias para a chegada da primavera,
Para os campos se pintarem de cores
E uma das rosas mais preciosas
Pertencente ao jardim florido da vida
Hoje a tarde foi cultivada para ser entregue a Deus
E, em romaria, aos pés de Bom Jesus da Lapa
Ela foi oferecida. 

Foi assim sem antes avisar
Desabrochar nos campos límpidos
Dos céus.
E conosco ficaram as lembranças
De um tempo
Que passamos a apreciá-la
Junto a nós,
No nosso convívio.

Nessa noite traiçoeira
Deitamos e o sono não veio
Ficamos a espera de tua benção,
Pelo café do fim da tarde,
Pela água no copo de alumínio
Mas você foi embora.

O dia amanhece,
Ouço o cantar dos pássaros,
O cair das águas na barragem
Mas não escuto você me chamar,
Nem o arrastar do teu chinelo pela casa
Que agora está vazia...
O coração aperta dentro do peito,
As palavras nos fogem a boca
E o nó na garganta não quer desatar...

Era Maria Borges
Entre todas as Marias,
Que nos esperava à porta
Tão cheia de graça,
Com olhos de compaixão
E sorriso de menina,
Que o tempo não foi capaz
De apagá-lo,
Para nos entregar o que tinha de melhor
O seu carinho
Traduzidos em beijos e afagos.

Sei que das letras conhecia pouco,
Mas foram inúmeras as lições que nos ensinou,
Aprendizagem de toda uma vida
De força e de fé,
De humildade e de amor.
Maria tu foste à escolhida
Para abraçar a Deus nesse momento
E, por isso, a separação é inevitável,
Machuca,
Dói,
Silencia,
Deixa saudade
Mas fica a certeza
De dever cumprido,
De filho criado,
De família abençoada,
De muda plantada.

Você saiu de cena,
Mas não sairá dos nossos corações
E de nossas lembranças.
Maria,
Minha mãe, minha avó, minha tia,
Minha rainha,
Adeus Maria
Chegou a hora
Até um dia...


Allex Borges
Juiz de Fora, 15 de setembro de 2011

 

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