segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Invasão


Um nó na garganta,
Um peito apertado,
Uma alma angustiada,
Dias nublados,
Cinzas
É assim que me sinto
Desde aquela noite
Que invadiram minha casa
E reviraram tudo o que tinha lá dentro
Levando embora o seu retrato da parede,
O último que eu ainda tinha
Por lá.

Por tudo de volta aos seus ‘lugares’,
Catar os cacos que se perderam
Pelos caminhos
Não é uma tarefa das mais fáceis,
Mas é necessário
Para se recompor outra vez,
Para por a casa em ordem,
Em pé
E voltar a caminhar.

Já não sei mais o que sinto,
As lembranças estão embasadas
Preciso de um tempo
Para a poeira assentar
E eu me sentir vivo outra vez.
Estou aprendendo a ser só,
Após um longo período
Andando a dois,
Estou a resgatar o brilho que me levaram,
O sorriso que desbotou
A confiança que adormeceu.
Um momento de
Despertar...

Podem ter me levado tudo embora
Mas restou ainda a minha dignidade
E minha vontade de ser feliz
E disso não abro mão,
A de ser feliz.

Agora vivo sem certezas,
Apenas com convicções
E uma das que trago comigo
É que a cada momento vivido
Tem sabor de recomeço,
São novas linhas escritas no livro da vida,
Novas tintas, novas cores
Novos desejos
Marcados na pele...

Fecha-se um ciclo
Para abrir-se outro.
A esperança se renova,
Os amores são recriados,
Repaginados
Apenas a vontade de ‘dá certo’
É que continua intacta
Impulsionando-nos a novas histórias
E reafirmando a premissa
De um viveram felizes para sempre
Seja real
Em nossas vidas.

Acreditar,
Sim!
Acreditar que é possível amar,
Acreditar em si.
Acreditar no amor
Que ele vem cheio,
Acreditar sem medo
E permitir a amar
Sempre.
Amar sem pudor,
Amar na dor,
Amar e crê no amor
Que ele será  
Indolor.


Allex Borges
Juiz de Fora, setembro de 2011

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