Partir sem saber para onde ir
Ficar sem permanecer o mesmo
Sorrir sem perder o encanto de antes
Acreditar no amanhecer
Sem temer o ‘homem’
Que ronda a madrugada...
Esse é o nosso desafio de agora.
Um agora que veio de um modo tão inesperado
Na escuridão de uma noite
Que não teve o raiar do dia
Nem o leite na mesa
Nem os assovios em volta da casa
Nem o cacau estendido na porta
Silêncio...
Tudo assim, rápido...
Num piscar de olhos fechados.
Olhos que viram tantas coisas
Adormecem em sono profundo...
Um olhar sem foco
Uma lágrima a escorrer pelo rosto marcado
Pela dor e pela saudade
Olhos de várias cores e tamanhos
Idades e visões
Choram por um amanhecer que não veio
Pela reza que pareceu pouca
Pelas promessas que foram insuficientes.
Pelas forças que foram se esvaindo
E acabou por não suportar
Segurá-lo aqui
E o deixar partir...
Amar na ausência
Sentir a tua presença
Numa saudade que é cortante
Feito navalha amolada em pedra
Não é fácil, não tem como ser fácil
Nem aqui em Minas,
Nem na Palmeirinha
Nem lá no Jorro...
Fico aqui a pensar
Até uns dias atrás
Olhávamos juntos os ‘paus’ de fumo, fumacinhas,
Maravilha e cuiúbas a chiar.
Esperávamos o arame
Para na toca da onça se esbaldar
Entre prosas, cantigas e feijão-macho...
Sem falar em Feira, Bate Barriga e Nem Véi...
Onde pegar a marinete agora, moço?
Meu pneu-coração está murcho
Perdi o rumo do trânsito da vida
A poltrona do meu lado está vazia
E a bagagem que trago comigo
É o legado mais precioso do teu companheirismo
Nesta viagem que passou tão depressa...
Tínhamos tantas outras coisas para prosar.
Hoje seguimos caminhos distintos
Montaste num cavalo bravo
E saiu em busca de outras cavalgadas...
Acordei e sair a tua procura para te mostrar
O bilhete escrito pela minha amada
Para ver se tu reconhecias a letra dela
E daí dei-me conta que já não estava mais aqui.
Só vi o teu chapéu
E senti o teu cheiro em cada cômodo da casa...
E fiquei assim sem saber
Perdido...
Não tenho a certeza
Quando seremos companheiros de novo
Mas fica a certeza de uma felicidade vivida
Esperança...
Vou senti sua falta
E quando isso acontecer
Voltarei a tua casa amarela
De portas e janelas abertas
Encontrarei com Maria Antônia, Tereza, Martinha, Ritinha, Lúcia e Jeromi
Pois elas e ele trazem um pouco de ti
E juntos são Maria e Ziza.
Ziza Macho
Ziza do Rio de Contas
Ziza de Maria, de Mariana
Ziza que nunca vi chorar
Ziza que agora busco
Em cada sonho
Em cada lembrança
A vontade e a força
Para continuar...
Juiz de Fora 08/07/2010
Alex Borges
22h
4 intermináveis dias de tua ausência.
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