segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Essas coisas

Têm coisas na vida da gente
Que não passa nunca,
Por mais que mude as estações 
E os anos vão indo embora
Elas ficam
E permanecem escondidas
Em algum canto do coração
Numa presença quase imperceptível.

Mas têm dias que do nada
Elas emergem numa audácia feroz
E inigualável
Escapole às nossas estruturas
De controle e resistência
E ficamos de certo modo 
Com uma sensação
De vencidos.

Hoje estou me sentindo assim
Vencido
Vencido e venerável
Diante de um sentimento
Que é bem maior do que eu
E mais resistente que o tempo.
Tento o mandar ir embora,
Mas ele não vai,
Se esconde, me engana e permanece ali
Fazendo você presente em mim.

A cada dia que passa
Estou me sentindo fraco
E perdendo a batalha
Que travo com meu coração
Para livrar-me de você
E aos poucos estou me rendendo
E assumindo de vez que
Ainda amo você.

Não canso de ouvir de todo mundo
Que preciso te esquecer,
Que é um bem maléfico
Na minha vida
Mas não me ensinaram
Como é que se faz isso.

Incansavelmente tento me libertar
Desse sentimento
E a cada tentativa
Sinto-me como se eu estivesse preso
Num poço de areia movediça
E a cada tentativa de libertar-me
Sou tragado por sua força
E permaneço imobilizado
Diante de você
E do que representas em mim.

Nessa vida há muitos caminhos
Sem volta
E você foi um deles
No qual eu me perdi.
Não sei mais o que fazer
Por onde me orientar
E encontrar um novo caminho
Que não me leve a você.

Rasguei as suas fotografias, apaguei suas mensagens
Retirei seus  números de minha agenda,
Esqueci sua data de aniversário,
Mas mesmo assim
Ainda resta muito de você em mim.

Agora estou a sangrar de saudades
Dói muito, dói na alma
Não ter você perto de mim
A cada lágrima silenciosa e solitária
Que escorre pelo meu rosto,
A cada sonho despedaçado
Em noites intermináveis
Que não tenho o seu amor
Vejo que sentir o que sinto
Não vale mais à pena
Trazê-lo ao peito.

E recorrendo às lembranças
Chego a então duvidar
Se um dia realmente
Valeu à pena
Tudo o que vivemos.
Não sei como reagir a tudo isso
A essa avalanche de sentimentos
Repleto de você.
Sei que dói muito carregar
Todas essas coisas que me faz
Eu ainda pertencer a você.

Allex Borges
Juiz de Fora, agosto de2011

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