Tudo e nada posso na poesia,
Desde que eu seja poeta para isso.
Basta pegar uma folha e uma pena
E começar a bordar meus anseios,
Minhas frustrações,
Sonhos e fantasias
A falar do meu amor
Ou da falta dele.
Posso fazê-lo duradouro
Vagar entre as estrelas pregadas no cosmo,
Carregar a lua no ventre
E me esconder atrás do sol.
Voar segurando a cauda do cometa
E me jogar no mar.
Posso ainda ser feliz,
Construir uma felicidade só minha.
Olhar o mundo de uma ótica diferente,
Um olhar de apaixonado,
Com um ar apaixonante.
Cruzar os oceanos infinita vezes
E chegar ao limites de seus limites.
Percorrer os desertos,
Conquistar o Everest,
Domar as cataratas do Iguaçu.
Desafiar as leis da física,
Da natureza que aprisiona os pobres mortais.
Posso tudo, até mesmo, ser imortal
E gozar de uma eternidade particular.
Triste é não poder retirar do papel escrito
Tudo o que eu posso enquanto poeta
E tudo ficar a mercê dos olhos alheios,
Quando os tem.
Tolice! Poeta também não sou.
Não há o que me preocupar,
Desculpar.
Queria que a minha escrita
Tivesse o poder de trona-se viva,
Transformar a dinâmica dos corações cansados.
Tornar verdadeiro os sentimentos que purifica o espírito
E conduzir a humanidade para um caminho de esperanças,
De um viver mais justo.
Onde a vida possa ter mais zelo
Que as pessoas possam ver uma nas outras
O semblante de Deus
Para que possamos ser ao menos
Felizes.
Allex Borges
Viçosa- MG
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