quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ódio irracional

Estou sentindo um ódio irracional de você,
De mim mesmo.
Um ódio com misto de mágoa
Com sabor de dor de cotovelo
E calda de orgulho ferido,
Uma miscelânea de sentimentos
Incompreendidos.

Não consigo conceber a ideia
Que alguém, para além de mim,
Tenha a capacidade de te fazer feliz.
Que meus encantos não te encantam mais
E que me tornei invisível aos teus olhos.

Era para sermos um só em dois
E não dois em muitos.
Duvidou das minhas intenções,
Dos meus sentimentos
E da história que poderíamos viver juntos
Seja numa planície ou num planalto.

Estava disposto a aprender tantas coisas
Sobre o amor que eu desconheço
Por você.
Criei ilusões, esvaziei a alma e o coração
Para fazer de nós uma chance
Para sermos felizes.
Mas você não quis...

Sim...
Tem o direto de recuar,
De duvidar
De não querer
Ou até mesmo de desconfiar,
Mas jamais de julgar.
Não julgue o desconhecido,
Não julgue pelo que o seu olho acha que vê.
Pois o olhar é traiçoeiro,
Ver apenas aquilo que a gente quer
E não o que é de fato.
Neste sentido, penso que você já viu o que queria.

Talvez, tu não sejas mesmo
O que eu espero da vida,
Mesmo se for, também não importa mais,
Sua imagem derreteu
E borrou a mais bela pintura
Que eu havia criado
Em minha tela.

Não me procure
E nem peça para eu ser ‘civilizado’,
Distancie apenas
Até a distância fazer com que você
Suma diante de mim
E que eu seja indiferente a ela.

Não crie verdades sobre mim
Nem mentiras,
Dei a oportunidade de conhecer-me
Como poucos o conhecem
E viraste às costas
Agarrado num discurso egoísta de si.

Nem sempre ocupamos o lugar
Que os outros nos dão na vida,
Às vezes permanecemos neles
Por puro comodismo,
Mas no fundo sabemos
Que não nos pertence.
Pelo visto, só quem ocupa é que sabe.

O que mais me dói nessa história toda
Não é perder você.
E sim, de ser injustiçado pela tua estupidez
No momento mais verdadeiro
De uma entrega pessoal
Sem chances, ao menos, para a dúvida.

Sinto-me como uma flor
Que ao poucos foi se despedaçando
Pétala por pétala
Num jogo de bem-me-quer
E mal-me-quer.
Dói, machuca, fere
Minha alma chora
E o coração aperta o peito,
Sinto-me um nó na garganta
E uma impotência diante dos fatos,
Mas passa...

Vai! Parte de uma vez
E viva outros riscos
Que não sejam os meus,
Encontre outros defeitos
Diferentes dos meus
E sejas feliz.
Por que em breve
Eu serei outra vez.
Allex Borges
Juiz de Fora, maio de 2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário