sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rio - Viçosa

Venho tentando discorrer
Algumas linhas já há algum tempo
Que pudesse descrever a nossa história.
Rascunhos que me arranhavam a mente,
Devaneios tolos, talvez até naifes
Em se tratando de algo tão puro
Que nos liga.

No meio dessa agonia
Ao tentar transpor para ao papel
Sentimentos tão íntimos e nobres
Debati-me, quase machucando os braços
Que se moviam na intenção de abraçar ao longe
Como o rio que liga duas margens tão distantes.

Rio, rio ao lembrar-me de te
E saber da tua existência.
Rio de Janeiro que ficaria
Mais lindo se eu estivesse aí contigo
Para juntos podermos descobrir tantas coisas
Que a vida nos reserva.

Pensando e desejando-te
Percebi que deposito em vós
A esperança de encontrar
Sonhos que somos obrigados
A deixá-los para traz
Nessa correria da vida.
Aqueles que deixamos encostados,
Torcendo para que o mesmo vento
Que faz com que os bambus se curvem,
Os traga de volta quando vier abraçar o nosso corpo.

Às vezes, não percebemos como somos importantes
Para outras pessoas
E pensei que quando sabemos disso,
Tornamos-nos muito mais especiais
E a nossa vida passa a ter mais sentido.

Sentido é o que busco para mim
Desde o momento que você partiu.
E agora vivo a debater-me
Como uma borboleta saindo do casulo. 

Estou aprendendo a ter resistência nas asas
Para poder içar vôo e cair em teus braços.
Você não me deu só o amor, deu-me direção
Mostrou-me caminhos e quero seguir contigo.

Sei que estou na mata e você na praia
Estou preso e você livre
Mas o nosso coração é o mesmo
O que pulsa aqui, também pulsa aí dentro de você
E isso faz de nós um só em dois.

Meu bem! Não vá embora de mim
Não sei mais amar
Sem amar você,
Sem ter você junto a mim.


Allex Borges
Viçosa, julho de 2002 
* Inspirado em uma das melhores lembranças que eu gosto de ter. 

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