sábado, 11 de julho de 2015

E-U


A falta do que fui,
Saudade do que não tive,
Exatidão do que sou
E do que me tornei
São farpas que
Vão se dilacerando
Numa sensação de prazer
E dor
Dia após dia.

Tenho uma sede de mim
Que não sacia,
Um andar que não se cansa
De percorrer por entre caminhos obsoletos
Impulsionado por uma força,
Que não sei de onde vem,
Mas não me faz parar
E percorrer outro rumo
Menos suicida.

É uma luta árdua comigo mesmo,
Num dissecar de sonhos
E de esperanças
Plantadas à sombra da árvore do esquecimento
Da vida.

Ouço aquela música uma, duas, três vezes
Para ter para onde ir,
O que rememorar,
Reavivar sorrisos
E, de algum modo, me sentir pertencente
A algum lugar,
A alguém...

Destino arredio, sem freio;
Errou comigo,
Continua errando
E eu teimo em errar com ele,
Um erro mútuo...
Sentimento difuso,
Uma dor que atormenta
E um grito que é mudo.
Morrer é pouco,
Viver é muito...


Medos? Os tenho aos montes
Certezas? Quem as têm?!
A única certeza
É de não ter certeza de coisa alguma,
Já que o tempo não nos espera,
O melhor a se fazer é viver
E viver do nosso jeito,
Do modo que a gente sabe
Viver...

Alexandro Borges,
Juiz de Fora, julho de 2015













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