E tantos encantamentos
Assim como nós
Também os têm.
Olhamos o mar e nos encantamos por ele,
Chegamos a acreditar que a dança de suas ondas
E seu azul turquesa
É o retrato maior de sua beleza.
Engano nosso,
Na verdade o que nos encanta
É apenas uma de suas facetas,
Pois quem se aventura a conhecê-lo a fundo
Descobre que seu interior é muito mais fascinante.
O mais importante se esconde dentro,
E aí nos damos conta que o que admiramos
Não é à frente
São os fundos do mar.
Assim como o mar,
Somos nós.
Admiramos de imediato
O que enfeitiça nossos olhos
E por muitas vezes, deixamo-nos de apurar
Outras belezas, outras facetas
Que estão escondidas
Dentro de cada um que se aproxima de nós,
E assim como o mar,
Ficamos a surfar no limiar da superficialidade.
Daí é possível visualizar corações vazios a boiar
Pedindo socorro
Para serem resgatados.
E em desespero,
Para não se afogar na solidão de suas escolhas,
Gritam para serem amados.
Busca-se sempre o melhor,
O mais belo,
O mais perfeito
O mais...
Uma busca incessante e inesgotável
Nesse jogo
As pessoas, os amores, os sentimentos
Tornam-se descartáveis.
Nesse embrolho
Deparam-se com amores inconstantes,
Sentimentos líquidos
Que escapolem das mãos
Causando uma aflição inescrupulosa
Para agarrá-los.
E se frustram,
Revoltam-se
Tal qual o mar em ressaca.
E dar-se início a uma busca sem freios,
Solitária.
É preciso aventurar-se
Para além do que os nossos olhos alcançam
E assim poder amar de um modo diferente.
Um amor para além das aparências
Capaz de preencher a lacuna que carregamos no coração.
Deveríamos seguir o caminho
Não inconstante das ondas do mar,
Mas das correntes marinhas.
A força que vem de dentro,
Que tem rumo definido,
São interruptas,
Precisas.
Talvez assim sentíssemos menos vazios
E mais cheios e mais vivos.
Allex Borges
Juiz de Fora, julho de 2011
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