Diga-me que tudo o que vivemos
Não foi em vão,
Que suas palavras não foram levianas,
Que tinha uma razão de ser.
Que seu sorriso não foi de deboche,
Mas te felicidade por estarmos juntos.
Que seu carinho não foi algo mecânico,
Mas uma atitude de afeto e cuidado.
Que nossos beijos não foram frios,
Mas quentes e desejados.
Diga-me que não foi desleal
Diante de tudo o que estávamos vivendo,
Diante do nosso sentimento.
Que não desacreditou que tínhamos
Muito haver um com o outro,
Que não sabotou a tentativa de ficarmos juntos.
Diga-me que não foi cego as minhas expectativas
E surdo aos meus apelos.
Que levou a sério tudo o que compartilhamos
E o sentimento que nos unia
Era uma vontade nossa
E não apenas a minha vontade.
Diga-me que idealizou sonhos conjuntos,
Que os planos que fizemos foram reais
E não invenção da minha cabeça.
Que seu coração se sentia embalado
Pela melodia que o meu entoava.
Que tudo o que eu fiz por você
Valeu à pena.
Diga-me que eu não fui apenas um brinquedo,
Um troféu ou só um corpo malhado para você.
Mas alguém que você admirou
E quis ter ao lado,
De corpo e alma.
Que não me deixou falando sozinho
Depois de termos feito amor,
Que me amou para além da cama.
Que eu não fui apenas
Mais um.
Diga-me que não perdi
Meu amor próprio ao te amar.
Que eu soube dosar minha intransigência
Com a sua liberdade
O meu ciúme e minha possessividade
Com a sua autonomia.
Que nossa aspiração não se transformou
Em pesadelo.
Diga-me se fiquei feio, velho
Sem graça, flácido, desinteressante
E por isso resolveu ir embora.
Diz-me alguma coisa,
Mas não fique calado,
Seu silêncio me deixa atordoado,
Insano.
Fale qualquer coisa,
Mas fale...
Infelizmente temos a necessidade de querer ouvir
Determinadas coisas que vivemos
E com quem vivemos
Para tentarmos dissociar o que foi de fato real ou ilusão
Por milhões de razões,
Seja para aliviar a dor,
Deixar o coração em paz,
Ter motivação para continuar a tocar a vida,
Ou seja para sofrermos menos.
Queremos ouvir
O quanto significou tê-las vivido
E assim ter a consciência tranqüila
Ao olharmos para a história vivida
E para o seu desfecho e assim poder dizer: eu fiz o que pude!
Se não saiu conforme o esperado
Paciência,
Na vida é assim, uma hora a gente perde
Outra a gente ganha,
Mas é preciso sempre caminhar e teimar
E nunca perde a vontade
De se querer amar.
Allex Borges
Juiz de Fora, Julho de 2010
Nenhum comentário:
Postar um comentário